quarta-feira, 15 de julho de 2026

O INCRIVEL MUNDO DE ARTURO PAZ

                                                              I

 

                Arturo Paz estava completando noventa  anos. O aniversário vinha sendo preparado há mais de três meses, e era o primeiro que ele comemorava depois da morte de Liduina Paz, sua querida e amada lidu. A morte de liduina já completara cinco anos guardada com todo o rigor do luto de quem tinha convivido cm a mulher sessenta anos.

                Capunan era um lugarejo situado a pouco mais de dez quilometros da cidade Piquiá, com terras planas e alguns altos e baixos, era cortado por uma rodovia que levava e trazia pessoas de todo o estado e país que se dispusessem a sair ou visitar aquelas bandas. As casas eram esparsas umas das outras e existiam casarões residenciais dos troncos familiares fundadores de Capunan. Arturo Paz era um dos herdeiros daqueles familiares. Naquele dia de seu aniversário ele amanhecera bem vestido e penteado sentado na varanda de sua casa grande para ouvir em sua homenagem, as seis horas da manhã, a música, a Ave maia de Guinot, pelo potente som do bar de seu amigo José Amancio, o Zé Refresco. Ave Maria, de Guinot era a música que tocava todas as seis horas da manhã e ás cinco da tarde no sino da catedral de Piquiá, durante os festejos da padroeira Nossa Senhora da Conceição, e que Arturo Paz adorava escutar religiosamente. 

                 A casa grande estava lotada de netos, bisnetos, filhos, sogras e alguns genros. Até mesmo Artur Filho tinha vindo do outro lado do mundo onde morava para festejar o aniversário do pai. O nome Artur Filho foi uma correção do próprio Arturo Paz, que era para ter sido registrado como Artur, mas o oficial de registro civil ou tinha escutado o nome errado ou tinha errado a grafia mesmo. Ficara por isso mesmo. 

                O batalhão de mulheres na cozinha  fez a casa amanhecer mais cedo e em polvorosa. Um boi, porcos, carneiros e dezenas de galinhas e capões tinham sido abatidos para a festança, tudo para satisfazer os convidados. As bebidas, constavam de destilados finos e cervejas, que abarrotavam freezers. Esperava-se muita gente de Catolé, Barragem, Lagoa Grande, Pajeú, Murici, lugarejos ao redor de Capunan, sem cotar os inúmeros convidados de Piquiá, principalmente o prefeito e a primeira dama. estavam sendo esperados também dois deputados estaduais e dois deputados federais, tanto de oposição como do governo, representantes daquela região. os dois senadores do estado já tinha mandado dizer que tiiham compromissos inadiavéis em Brasilia, mas seriam representados por seus respectivos representates no Estado.

                   

quinta-feira, 18 de junho de 2026

UMA NOVA VIDA

               Quando saímos naquela manhã de nuvens de Altamira do Maranhão, eu, minha irmã e minha mãe naquela tropa de burros e um tropeiro de cara feia, chegamos em Vitorino Freira com três dias de viagem. O último trecho foi digno de uma aventura pitoresca. Passou um caminhão no local onde estávamos e o motorista, mesmo sem querer levar tanta bagagem, teve pena dos apelos de minha mãe. O caminhão levava na carroceria uma carga de algodão. Minha mãe foi na boleia e eu e minha irmã fomos em cima, segurando-se em cordas que amarravam os fardos de algodão. Lembro também que existiam algumas galinhas  presas em engradeados. as galinhas foram a diversão durante a viagem que durou quase um dia naquelas estradas de terra e lamaçal.

              Do Vitorino Freire viajamos para Teresina. Era o ano de 1965, e juntamos-nos aos outros dois irmãos que já estudavam na capital do Piauí. Meu pai depois de seis meses nunca mais dera noticia por mais que a familia quisesse saber de seu paradeiro. Fomos morar numa casinha no bairro Piçarra perto do Cine-São Raimundo, chamado de baganiha ,e lembro-me de meu avô Ernesto pai de meu pai com seu relógio de algibeira sempre com um conselho peculiar para quem lhe perguntava as horas - Pode ir, você já está atrasado - Dizia ele, olhando o relógio. Tempos depois fui entender porque eu sempre gostei de relógios. Aprendi com meu avô a nunca chegar atrasado nos compromissos.

             Eu e minha irmã começamos a estudar o primário na Unidade Escolar Miguel Borges, no bairro Barrocão, esse período merece um capítulo especial. Nunca me esqueci daquele período em que estudei naquele colégio e também de minha primeira professora. Eu era um menino frágil, sofria de asma com crises terríveis que me levaram várias vezes ao hospital Getúlio Vargas. 

            Depois mudamos para outra casa que ficava na rua Olavo Bilac, perto da casa de uma tia. Mas eu e minha irmã  continuamos a estudar no Miguel Borges. Só mais de um ano soubemos do paradeiro de nosso pai. Uma história estranha. Uma saga. Segundo comunicação dele mesmo naquela escapada da câmara municipal forra esbarrar numa tribo de índios, e fora acobertados por esses índios. Meu pai depois contava que tinha se juntado a uma índia de hábitos estranhos. Enquanto ele dormia na rede ela dormia no chão, e comia peixe cru com outros ingredientes. Ele contava isso com todo orgulho de ter escapado da ditadura militar.

            Meu pai era um grande homem. 

 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

TEMPO DE CHUMBO - FIM

            Quando meu pai fugiu de Altamira do Maranhão para não  ser preso pela ditadura militar,  ninguém da família sabia para onde ele tinha ido. Minha mãe ficou em estado abalado, tendo grande solidariedade dos vizinhos, suas amigas e amigos, que eram muitos. Na casa grande ficaram eu, minha irmã, mais nova do que eu e minha mãe, acompanhado por uma senhora que morava com a gente. Meus dois irmãos mais velhos estudavam em Teresina, a capital do Piauí.

               Ouvia-se falar de tudo na cidade de Altamira. Mortes pelos soldados do exercito, mal tratos e torturas em presos, o escambau. Como a cidade já era  violenta demais, ninguém sabia o que era verdade ou que era mentira. Só para dar uma ideia, um dia correu o boato de que um bando de arruaceiros iria invadir a cidade para resgatar um preso do bando. As aulas foram suspensas e, na noite daquele dia, ninguém saiu as ruas da cidade. O fato me lembrou outro acontecido, antes de papai fugir. Quando um pistoleiro conhecido invadiu a cidade com comparsas e matou um soldado da policia por vingança. Esse pistoleiro era amigo de meu pai, e tempos depois eu soube que meu pai tinha dado cobertura ao mal feitor.

               Passaram-se alguns meses que meu pai tinha sumido. Quando um dia chega lá em casa um tropeiro com uma tropa de seis burros, dizendo que meu pai tinha mandado ele pegar a família e deixar em Vitorino Freire, no Maranhão, na casa de uma comadre de minha mãe. Minha mãe ficou em pavorosa sem saber o que fazer, mas obedeceu as ordens. Nossa saída da casa grande foi numa manhã de nevoeiro denso, mas sem chuvas. Mamãe colocou naqueles seis burros tudo que conseguiu colocar e o resto ficou na casa grande, e eram muitas coisas. Lembro de todos os meus brinquedos e os de minha irão deixados para trás. Meu bem maior era uma bicicleta de pneus maciços, presente de meu pai, e uma das únicas bicicletas infantis da cidade. O choro de minha mãe  foi intenso, e das amigas também. partimos deixando quase tudo para trás.

               Aquele tropeiro era um homem, sisudo, grandão, de meter medo. Pegamos o caminha da cidade de Furo, onde tínhamos de atravessar o Rio Mearim para, só depois, pegar um carro para a cidade de Vitorino Freire. Foi uma viagem em lombos de burros inesquecível. Lembro das imensas poças de água na estrada que os animais tinham de atravessar. Em muitas delas os burros nadavam com a gente em cima, junto com as cargas. Mamãe rezava muito a cada travessia daquelas. Lembro que foram dois dias de viagem até chegar a beira do rio, onde o homem disse que o trato feito com meu pai tinha sido só até ali. O mais que ele fez foi ajudar mamãe a colocar as coisas numa grande balsa para a travessia do rio, depois se despediu e sumiu. Nunca me esqueçí daquele rosto sem um pingo de expressão. Ficamos na outra margem do Rio Mearim para esperar um transporte para Vitorino Freire.  

sexta-feira, 24 de abril de 2026

TEMPOS DE CHUMBO - 1

                Naquele ano de 1964, eu morava eu Altamira do Maranhão, um lugar que parecia encravado no outro do lado do mundo. A casa era grande e ficava na rua principal da cidade, rua de terra batida, e que no verão, fazia uma poeira desgraçada quando algum carro passava. Ainda bem que os carros eram raros na cidade. Minha mãe era costureira e gozava de uma certa popularidade na vizinhança, e meu pai era vereador, um homem conhecido por demais. Lembro que um dos nossos vizinhos era um senhor respeitado dono do cartório da cidade, e casado com uma mulher muito bonita e educada. Lembranças de um menino.

                Meu pai além de vereador era um comerciante de mão cheia, um verdadeiro camelô. Vendia o que lhe desse na telha. O comércio ficava no mesmo local de nossa casa, onde outrora tinha sido uma escola da prefeitura, fechada pouco tempos depois pela própria prefeitura. Na chamada mercearia vendia-se de tudo. desde arame farpado para cercas, cordas, panelas, até revolver. Sim, revolver! meu pai vendia revolveres. Claro, que não eram expostos nas prateleiras, ficavam guardados em armários fechados. Talvez viesse daí minha astúcia de menino em fazer revolver de bambu. Uma saga. O mais interessante era quando aparecia alguém para comprar revolver. Meu pai levava o sujeito para o quintal, pois a arma tinha que ser experimentada, e tome bala numa palmeira que ficava aos fundos da casa.

               Chegou a revolução, ou como queiram, a ditadura. Muita gente na cidade, ou quase todos, não entenderam nada com aquele bando de soldados do exército cercando a praça principal da cidade, onde ficava a câmara dos vereadores. Claro que o povo se encaminhou para lá, saber o que era aquilo. Eu também fui com minha mãe. Diziam que todos os vereadores estava presos dentro da câmara, e claro, meu pai também. As amigas de minha mãe a confortavam, para elas não ia acontecer nada. Os vereadores eram autoridades e não seriam presos, aquilo era um equivoco.

               O certo é que o cerco durou da manhã até a tarde, quando disseram que alguns vereadores seriam soltos e outros não. Claro que os soltos faziam parte do partido político que apoiava a ação revolucionaria naquele momento. Minha mãe ficou mais tranquila porque meu pai apoiava o líder do partido político da revolução, que naqueles momentos nem existia mais, no entanto, o seu líder continuava. De modo que meu pai foi solto por interferência do líder político que ele apoiava. Mas essa liberdade dos vereadores que foram soltos foi traumática. Além deles perderem os cargos de vereadores da cidade, tiveram que sair as presas, e se esconderem onde ninguém pudessem encontrá-los, por que tudo podia retroceder e eles serem presos de verdade.

               Eu e minha mãe não vimos mais meu pai. Ele saiu pelos fundos da câmara municipal e sumiu da cidade sem dizer  para onde iria. Ali começaria um calvário para a família.  

terça-feira, 31 de março de 2026

O DIA DA MORTE

 

         Morte não tem dia. Quem é que vai comemorar o dia da morte? Talvez eu esteja querendo dizer outra coisa. Comemora-se o dia dos mortos. Mas da morte jamais! Na verdade eu quis dizer o dia em que se morre. Mesmo assim qual o dia que se morre? Não se tem dia para morrer, pode ser a qualquer dia a qualquer hora. 

          Mas vamos dizer que todos nós tenhamos o nosso dia de morrer. É aquela coisa ninguém escapa da indesejada. Todo mundo vai ter seu dia e a sua hora. E não adianta querer apressar ou fugir desse dia. Alguns até que tentam, mas só se morre quando chega a hora. Com a morte de minha mãe tive a angústia de ver a morte chegar sem perdão. Aos 95 anos de idade todas as pessoas de sua família tinha morrido, e alguns parentes mais próximos e os amigos mais íntimos. Ela tinha consciência disso, e era uma dor permanente na sua alma. Minha mãe, não obstante todos os filhos a seu lado, estava sozinha. Eu compreendia isso de forma dolorosa.

         Muitas vezes ouvi ela falar - Por que só eu ainda estou viva? Não era uma pergunta de revolta, de raiva, de ódio. Parecia apenas uma constatação de maneira suave, porque logo em seguida ela completava -- Por que Deus ainda não me levou? Minha mãe que tinha sempre um sorriso no rosto e as feições de uma santa de quem sempre serviu ao próximo. O que dizer para ela quando fazia aquelas indagações? Simplesmente nada. Apenas lembrava para ela que seus filhos estavam ao seu lado, e a amavam muito.

          Mas nos últimos dias de vida pouco ela ouvia ou compreendia, porque os anos e a perda acelerada da memória tornavam seu dia-a-dia insuportável. Mesmo amparada e amada pelos filhos.

             Com a morte de minha mãe fiquei a pensar que não adianta querer apressar a morte, e nem fugir dela. Tem-se apenas que esperar. E viver a vida plenamente, se possível for, até ela chegar.  

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

PELA MUDANÇA NO CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA - CEC

 

            No Plano do então candidato ao governo do Piauí Rafael Fonteles estava alteração no Conselho Estadual de Cultura - CEC. Eleito governador, a proposta não foi efetivada até o momento, pois no último balanço feito em sua mensagem para a assembleia Legislativa, de 92% do programa concluído não constava mudança no CEC. O Conselho Estadual de Cultura é um importante orgão de regulação e proposição de políticas públicas para a cultura, com mais de 50 anos de existência. Portanto, criado ainda nos tempos de chumbo do país.

            Artistas, produtores e fazedores de cultura clamam por mudança na estrutura daquele orgão tendo em vista que não condiz mais com a política preconizada pelo Sistema Nacional de Cultura - SNC, da Ministério da Cultura, que tem na Seção IV - Dos Conselhos de Política Cultural - Art. 6 - Os Conselhos de Política Cultural dos entes federativos que aderirem ao SNC são órgãos permanentes constituídos com a finalidade de pactuar políticas públicas de cultura, os quais devem considerar a diversidade territorial e cultural e ter caráter consultivo, fiscalizador e deliberativo, integrando a estrutura básica dos órgãos gestores de cultura, com composição, no minimo, paritária da sociedade civil em relação aos membros dos poderes públicos.

            O CEC do Piauí aderiu ao Sistema Nacional de Cultura, no entanto, não avançou um palmo na sua estrutura. O CEC não é deliberativo, não é paritário e muito menos fiscalizador. Ele continua mantendo os mesmos nove membros desde sua fundação, sendo três membros da assembleia Legislativa escolhidos pelos seus pares, três membros escolhidos pelo governo do estado e três membros da sociedade civil, sendo que a única alteração em toda a sua existência foi a escolha dos membros da sociedade civil por eleição, mesmo assim não por voto direto, mas por organizações da sociedade civil e grupos com CNPJ sem fins lucrativos.

           Basicamente exercendo  o papel de Conselho consultivo o CEC não consegue ás reais necessidades da classe artística e cultural do nosso estado. O Conselho precisa ser mais democrático, mais representativo  e conectado com a realidade da diversidade cultural do Piauí. Portanto lutar pela transformação do CEC em Conselho Estadual de Política Cultural - CEPC, é pensar em avanços e desenvolvimento de políticas públicas de cultura. 

               Construir uma proposta  de renovação do CEC que contemplem a todos os seguimentos da arte e da cultura é uma causa coletiva dos fazedores de cultura do Estado, só assim estaremos falando de direitos culturais.    

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

DECIDIR O QUE SER - FIM

 
 
             Me tornei um devorador de livros. Lia por prateleira. Desde Machado de Assis,
José de Alencar, Érico Verissimo, Jorge Amado, Lúcio Cardoso, Raquel de Queiroz,  e
 alguns estrangeiros como Samerset Maugham, Émile Bront,  o autor pornográfico
americano  Harold Robbins.e James Joyce, sem falar nos vários livros do próprio Fiodor
Dostoievsk.
            Naquele período, início dos anos setenta, tive contato com poetas, contistas e es
critores e jornalistas  piauienses lá mesmo na biblioteca. Tinha um grupo de escritores 
que se reunia semanalmente para discutir literatura. Lembro de Hardi Filho, Herculano
Morais, kenard Kruel, Airton Sampaio, jovens escritores e poetas. Eu não escrevia, mas
era um leitor voraz.
           Já na segunda metade dos anos setenta conheci mais escritores engajados em dis
cutir literatura. Menezes y Morais, Afonso Lima, João de Lima, Domingos bezerra, 
Willams Soares, Raimundo Alves Lima, o Ral, e passamos a formar uma turma. Através
dele ressuscitei a velha promessa de um dia ser escitor. 
          No ano de 1976 surgiu um concurso literário de contos promovido pela Secretaria 
de Estado da Cultura, e fui incentivado pela turma para me escrever no certame. Pensei
comigo, será o começo de minha carreira como escritor? Mas como? Ainda não tinha es
crito nada! No entanto, diante do incentivo dos amigos escrevi um conto muito curto in
titulado João Com Ressaca no Meio da Semana. E coloquei no concurso. Para mim sem
chance pois os concorrentes eram fortes. Não deu outra fui premiado. E a descoberta foi
de uma forma fantástica. Fui avisado por amigos que o resultado do concurso tinha saido
 e o conto premiado estava publicado na página cultural do Jornal O Estado. Corri  para a
banca, e lá estava meu conto e meu nome, Francisco Aci. Pois é, meu nome é Francisco
Aci Gomes Campelo, ainda não usava a abreviação Aci Campelo.
         Fiquei extasiado pelo entusiasmo que fui saldado pela turma. Todos os poetas, con
tistas, escritores e jornalistas conhecidos me parabenizaram. O conto trazia algo renovador
na linguagem. Tinha metornado um escritor? Ainda não. Mas a promessa estava  de pé.
Viva o velho Fiodor e seu Crime e Castigo!    
 

 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

DECIDIR O QUE SER - 1

           Eu tinha dez anos quando me caiu nas mãos, apareceu lá em casa não sei como, o romance Crime e Castigo, de Fiodor Dostoisvski. Claro que eu só fui saber que era de um escritor russo muito tempo depois, e que  era uma das grandes obras da literatura universal. O importante é que fiquei curioso e comecei a ler aquele romance como se o tempo não existisse. O livro tinha capa dura e na quarta capa uma fotografia do autor de longas barbas e olheiras profundas. Ali decidir que em algum tempo eu seria escritor. Só não sabia quando.  

          A leitura daquele romance, um catatau com mais de 500 páginas, foi uma loucura. Eu lia escondido, e não tinha horário certo. Naqueles anos eu estudava em um grupo chamado de Miguel Borges, no bairro Barroção, na zona sul de Teresina. Lembro que aundo estava lendo o romance ia para a escola pensando no livro sem parar. No recreio eu não saia para brincar com os amigos, e algumas vezes nem para merendar meu chocolate com leite ou o mingal de aveio, merendas daquele época. Ficava na sala pensando naquela história fantástica daquele rapaz perturbado que tinha matado uma velha ranzinza. Mas talvez o romance fosse apenas uma desculpa para não sair da sala. Na verdade eu era um garoto frágil que sofria de asma, e muitas vezes não me dava vontade de nada. Minha professora Jacira notando minha não saída da sala uma vez pegou na minha testa e perguntou se eu estava doente. Eu disse que não, mas devia está porque o romance não saia de minha cabeça.

             Minha família mudou-se da zona sul para a zona norte, ainda bem que eu já tinha terminado de ler o livro. Terminei meu primário no Grupo Escolar Anisio de Abreu. Fiz o exame de admissão e passe a estudar o ginásio no Colégio  Helvidio Nunes. Estudei sete anos  naquele colégio até concluir o cientifico. Durante o ginásio e o cientifico eu precisava de livros para estudos e pesquisas. Fui esbarrar na Biblioteca Cromwel de Carvalho. Ali descobir meu mundo - os livros. Não que eu estivesse parado de ler, pois eu lia tudo, de revisas em quadrinhos, revistas de fotonovelas, gibis a bula de remédios. Na biblioteca tinha todos os clássicos da literatura nacional e muitos romances de autores estrangeiros. Lá eu reencontrei o velho Fiodor e seu romance Crime e Castigo. Foi lá que eu fiquei sabendo muita coisa sobre esse autor russo fantástico..  

 

 

          

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

TROFÉU - OS MELHORES DO TEATRO PIAUIENSE 2025

                                                                                                                       

  
 
              A A & C Promoções Culturais promoveu no dia 05 último, Dia Nacional da Cultura, a entrega do Troféu Os Melhores do Teatro Piauense 2025, numa cerimonia ocorrida na Sala Torquato Neto, do Clube dos Diários.
              Nosso homenageado do ano foi o Ator e ativista cultural Francisco Pellé, do Grupo Harém de Teatro. Francisco Pellé estreou na cena do estado nos anos oitenta, através do Grupo de Formação da Escola Técnica Federal do Piauí, conduzido pelo professor Gomes Campos. Tivemos a oportunidade de ter o ator duas vezes em espetáculos de nossa autoira. O primeiro foi em O auto do Corsco e o segundo noa pela Elazano, Os Últimos Dias, em que ele fazia o papel titulo.
              Sem dúvida alguma Francisco Pellé é um vencedor. Não só pela cor mas também pela adversidade que teve de enfrentar em sua trajétoira. Como ele mesmo diz, o teatro o salvou em sua vida. Foi um dos criadores do Grupo Harém de Teatro e, através dele, ganhou o Brasil e o mundo. Interprete de uma personagem íconica do teatro piauiense, Raimunda Pinto, da peça Raimundo Pinto, Sim Senhor, de Francisco Pereira da Silva, Francisco Pellé teve seu talento reconhecido e premiado em vários festivais nacionais de teatro. Outros grande espetáculos, como Auto do Lampião no Além, de Gomes Campos tiveram a presença do ator. Seu ativismo cultural o levou para fora do país o que oportunzou a criação do Festival Lusofono de Lingua Portuguesa, promovido pelo Grupo Harém de Teatro.
              Para ilustrar a luta de Francisco Pellé contra as adversidade vamos contar um fato ocorrido nos anos oitenta. Não sabemos se ele se lembra. O fato é que chegamos ao Rio de Janeiro, eue ele e a atriz Carmem Carvalho, vindo de outros encontros para participar de um seminário de teatro promovido pela Funarte/SNT. Da rodoviária a gente foi para o Hotel Ambassador, na Cinelandia, onde eu já havia me hospedado. Chegando no hotel descemos e eu e Carmem fomos fazer chequim no balcão. Disse que éramos três e queriamos um apartamento para três. O rapaz da portaria, muito simpático troxe os papeis para preenchermos. Estava tudo certo, quando ele pergunta quem era o outro hospede. Pellé vinha entrando com sua bagagem. Eu disse é aquele ali. O rapaz mudou completamente de semblante, pegou os papeis de disse. Olhe me enganei. Não tem apartamento com três camas, desculpe. Foi seco e grosso. Ali sentimos o racismo total. Não comentamos com Pellé, simplesmente saimos e fomos nos hospedar em outro local.
             Francisco Pellé é um vencedor! 
 


sexta-feira, 3 de outubro de 2025

CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DO DRAMATURGO GOMES CAMPOS

 

  

             José Gomes Campos, o dramaturgo Gomes Campos,  nasceu em outubro de 1925, na cidade de Regeneração, no Piauí. Portanto, este ano de 2025 comemora-se o centenário de nascimento do dramaturgo. Gomes Campos faleceu em Teresina, em março de 2007.

             Gomes Campos veio cedo para Teresina onde estudou no Colégio Diocesano e depois formou-se pela antiga Faculdade de Direito do Piauí. Na faculdade Gomes Campos continuou a praticar seus dons artisticos participando de movimentos e atividades culturais. No inicio dos anos 50 foi para Belo Horizonte onde cursos Filosofia no Seminário Maior, retornado definitivamente para Teresina em 1953, quando engajou-se nos meios teatrais. Neste ano Gomes Campos passou a trabalhar na União dos Moços Católicos, sob os auspícios da Ação Arquidiocesana de Teresina. Na UMC Gomes Campos fundou um grupo de teatro e passa a trabalhar com amadores locais.

            Faziam parte do Grupo da União dos Moços Católicos Leão Sombra do Norte Fontes, o poeta H. Dobal e o escritor Claudio Bastos. O Grupo monta a peça A Dana da Morte, e apresenta no auditório do Colégio das Irmãs. Além de espetáculos o grupo da UMC ministrava cursos de teatro. Ao grupo logo depois se juntaram talentos da cena piauiense como Santana e Silva e Tarciso Prado. Santana e Silva monta com Gomes Campos a peça No Tororó, sem nome de autor, dirigida por Gomes Campos. Gomes Campos, Santana e Silva e Sombra do Norte fizeram parcerias em vários espetáculos. Santana e Silva depois funda o Teex-Teatro Experimental e o professor Gomes Campos vai exercer o cargo de professor no Colégio Diocesano.

            No ano de 1967, como professor de lingua portuguesa, Gomes Campos escreveu a peça Auto do Lampião no Além, a partir de uma pesquisa da literatura de cordel, feita por seus alunos da disciplina literatura brasileira. A peça teve estreia no Diocesano e no mesmo ano apresentou-se em um festival de arte, em Fortaleza, Ceara, levada pela Academia Piauiense de Letras. 

            Auto do Lampião no Além tornou-se a peça mais conhecida de um autor piauiense. Participou no Rio de Janeiro do V Festival Nacional de Teatro Estudantil, em 1968, dando a Gomes Campos o troféu governador Negrão de Lima, de autor revelação do evento. A peça tornaria-se um clássico da nossa dramaturgia, e no ano de 1975, foi a única peça a se apresentar na reinauguração do Theatro4 de Setembro, em Teresina, montada pelo grupo de teatro do Centro de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares - CEPI, dirigida por Murilo Ekhardt. Auto do Lampião tee inúmeras montagens  dentro e fora do estado, chegando a ser traduzida e apresentada nos Estados Unidos, na Universidade de Kansas. No ano de 1998, a peça ganha o Troféu Lusófono de Lingua Portuguesa concedido pelo governo português. Auto do Lampião no Além foi montada pelo Grupo Harém de Teatro que ganhou dzenas de prêmios em festivais nacionais de teatro.

            Gomes Campos é autor ainda de Crispim - O Pescador, baseada na lenda piauiense do Cabeça de Cuia,; a Morte e a Morte de Quincas berro D'agua, adaptação do romance de George Amado, e de dezenas de textos adaptados para sala de aula.

             José Gomes Campos tem seu nome perpetuada na Escola Técnica Estadual de Teatro José Gomes Campos, da Secretaria Estadual de Educação. 

            

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

COMO ESTÁ O NOSSO TEATRO

         No nosso livro História do Teatro Piauiense, coloco que o nosso teatro começou suas apresentações dentro dos cassarões  e nos quintais das casas de senhores abastados da antiga capital Oeiras, ainda no século XIX. Até ai tudo bem, pois não existiam teatros ou seja a casa de espetáculos. quando a capital mudou para Teresina continuou a mesma coisa por algum tempo. Também não existia casa de espetáculos.

         Hoje o Piauí conta com vários teatros e espaços aptos a apresentações tearais espalhados pelo Estado. Cidades como Bom Jesus, Floriano, Parnaiba, Picos, José de Freitas, Piripiri, União e Teresina contam com seus teatros. Só na capital são mais de quatro. a pergunta é - Onde estão os nossos espetáculos? Quem assiste nossos espetáculos? Boas refexões. Mas por que acontece isso? Culpa de quem? Preciso colocar que o teatro piauense não está em nenhum projeto de politicas culturais do governo, seja do estado ou da prefeitura. Só para ter uma ideia espaços como o Sesc e o Centro de Convenções cobram absurdos em suas pautas. Sem qualquer chance de ocupaçõa para grupos locais. Portanto, falta estimulo a circulação de e a montagem de espetáculos.

         Nesse cenário adverso como grupos, companhias ou coletivos locais podem existir? Ah, tem que ser esforço da própria classe! Como? Vamos só  a um dado desses grupos, companhias ou coletivos locais, muitos deles com 20, 30 e 40 anos de existência não tem sequer uma sede própria. Produzem seus espetáculos nas casas dos diretores ou de membros do próprio grupo. Negligência dos próprios grupos? Fica a discussão.

         Portanto, esse é o retrato do momento de nosso teatro. que parece não está em lugar nenhum, a não ser nas redes sociais, porque a produção é escassa e sempre produzido pela iniciativa gigante de pessoas compromissadas com a profissão. Com tão pouca produção não existe continuidade e o público perde o fio da meada. 

         E assim infelizmente o nosso teatro continua a contar com um público de amigos ou de artistas, que nem sempre assistem aos espetáculos locais , mesmo porque peças não são feitas nem produzidas para amigos e artistas. Claro que todos contam, mas é preciso sair da bolha e alcançar o público em geral.   

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

A MONTAGEM DO ESPETÁCULO

          Existem alguns métodos de iniciar uma montagem teatral. Cada diretor escolhe a melhor forma de conduzir a equipe. O importante é a afinação de objetivos e, no fundo, assumir o compromisso com a montagem. Nesse assumir não conta apenas o monetário, importante sim, mas sobretudo o amor pela obra.Muitas vezes esse compromisso é o mais importante, afinal de contas trabalha-se mais satisfeito naquilo que acreditamos. 

          A montagem teatral é uma engrenagem. Tudo tem que ser discutido e bem avaliado para dar tudo certo. Falamos aqui sobre cenografia, figurino, luz e som, e por trás disso tudo  o profissional criador de cada um desses signos do teatro. No entanto, para que tudo isso se encaixe existem outros elementos que o compõem são os atores e, mais além, o diretor e o texto a ser encenado. 

          Muitas teorias correm sobre o diretor de um espetáculo. Algumas terríveis e outras sensacionais. mas, como falamos cada diretor de uma montagem teatral tem seu método de condução. Para nós que vivenciamos o teatro como dramaturgo e produtor nada nos parece mais importante do que a afinação da equipe, o entusiasmo pelo resultado e a satisfação com a condução dos trabalhos. A discussão sobre a primazia de quem manda numa montagem sempre nos pareceu uma discussão meio vazia, pois se existe um diretor ele é o responsável pela condução dos trabalhos. Portanto, na maioria dos casos cabe a ele a responsabilidade pelo sucesso ou o fracasso do resultado. Isso também não se configura como uma regra, pois estamos falando de um trabalho de equipe, onde cada elemento tem sua importância fundamental.

           O resultado de um bom espetáculo, portanto, na nossa visão está na capacidade do diretor de extrair e conduzir cada signo teatral com maestria. Não importa o método usado escolhido para a condução de todos os elementos cênicos e dos atores, afinal eles são os senhores da cena. 

quarta-feira, 2 de julho de 2025

DRAMATURGIA 04 - O CENÁRIO

            A Cenografia diz respeito a criação do ambiente, seja no espetáculo de teatro, cinematográfico, televisivo ou mesmo na ambientação arquitetonica, criar uma cenografia é buscar os vários elementos que compôem uma cena ou um ambiente, como a iluminação, os objetos,  o figurino, e mesmo os efeitos sonoros e a disposição desses signos no espaço. O responsável por essa criação é o profissional da cenograifa.

             No teatro grego da antiguidade clássica já aparecia suporte denominado Deus ex Machine, mecanismos onde o ator que representava o deus surgia pendurado em cabos para resolver problemas na cena, por isso denominado "deus que desce numa máquina". Hoje esse mecanismo rápido é usado para resolver problema na trama da história.

                Mais recentemente, no teatro da passagem do século XIX para o século XX usava-se muito o cenário chamado de gabinete. O palco do teatro recriava literalmente qualquer ambiente de uma casa. Um quarto era um quarto com cama, cabides, armários e tudo que se tinha direito; uma sala de casa então era um deus nos acuda-mesa, cadeiras, sofás, quadros, tapetes e objetos de usos pessoal. 

                 Foi com diversos teóricos do teatro que o ator foi ficando sozinho no palco usando toda sua capacidade de interpretação e emoção. Muito contribuiu para isso a teoria da Biomecânica no teatro, de Vsevolod Meyerhold, nos anos 20 e 30. A biomecânica ampliava o potencial emocional de uma peça. "Se o ator permanece no palco vazio a grandeza do teatro permanece com ele".

               De qualquer forma os custos economicos reduziram a ambientação no teatro, e a cenografia passou a ser apenas indicação da ação. O ator é o senhor absoluto da cena. No entanto, a cenografia continua a encantar o expectador e a encher os olhos quando bem feita e aplicada.  

segunda-feira, 16 de junho de 2025

DRAMATURGIA 03 - O SOM NO TEATRO

         No post anterior teve um lapso, ao invés de escrevermos designer de luz cravamos designer de som. Agora sim, vamos falar um pouco da sonoplastia no espetáculo de teatro, ou designer de som, ou trilha sonora e música incidental.

         Traçar um panorama histórico do teatro com a música ou o silencio, de forma rápida, fica muito a desejar. No entanto, aqui é apenas um inicio de um conversa. A questão remonta aos espetáculos gregos/romanos, passa pela gramática e o silencio do teatro oriental, pela Commédia Dell'Arte italiana até chegar ao romantismo e ao naturalismo. Temos ainda que distinguir a música no teatro e o teatro musical, este trata-sede composições especificas que intervém diretamente no espetáculo.

          Sem dúvida alguma a música, seja gravada ou ao vivo, a sonorização,  uma trilha sonora ou apenas uma música incidental tem relevância fundamental na manifestação teatral. Na história do teatro a música deu origem a vários formas teatrais, como a opereta, o café concerto, o teatro musical, o teatro de revista, e a ópera, genero mais especifico, com todas as suas derivações. 

         Ao profissional da sonoplastia/designer de som, o sonoplasta, cabe a pesquisa e o conhecimento de seu métier, sendo um dos profissionais mais requisitados nas produções dramaturgicas. Mesmo porque na articulação do espetáculo teatral, a sonoplastia, aliada a outros recursos usados no teatro moderno como a imagem cinematográfica, pode ser usada para sucintar diversas perspectivas dramáticas, como simples ilustração, acentuar clima romântico, poéticos e sentimentais, situações dramátcas criticas, clima de terrpr, efeito de distanciamento e outros.

         Termos como BG, Chicote, fundo musical, temas musicais, são repertórios usados pelos criadores da sonoplastia. No entanto, tudo deve ser usado com parcimonia e sensibilidade.Quem não se lembra de temais musicais ou alguma trilha sonora que tornaram inesquecíveis espetáculos  da dramaturgia.  

terça-feira, 20 de maio de 2025

DRAMATURGIA 2 - A LUZ DO ESPETÁCULO

                  Hoje se usa um termo moderno para designar a luz no teatro - designer do som, mas é a mesma coisa e o responsável pela iluminação no teatro é o iluminador ou o operador de luz.

                 Até o período do renascimento a iluminação para o teatro não existia, pois as peças eram apresentadas a luz do dia, no período diurno já prevendo a falta de luz. Depois vieram as lamparinas, os lampiões, as lampadas de azeite e velas de gordura. Imagine que isso muitas vezes gerava verdadeiras tragédias com com incendios nos locais de apresentações, e até mesmo em muitos teatros. 

                 Só em 1830 usou-se a lâmpada a gás no palco. Uma revolução no espetáculo teatral, com a iluminação cênica se juntando a outros signos do espetáculo interpretando sentimento e vida. O primeiro objetivo da luz no teatro é a visibilidades, claro. Mas quando se diz que a luz interpreta sentimento e vida, um simples exemplo basta- quando vemos uma luz vermelha em cena nos remete a tensão, violência, desastre.

                   O iluminador ao criar um mapa de luz já fez pesquisa das cores, já conversou com a direção do espetáculo, com a produção, viu equipamentos, tudo conforme o roteiro da peça. Pelo menos é o que se espera de um bom profissional. 

                 Uma boa luz dar o clima, o andamento, a atmosfera e realça momentos significativos do espetáculo. Com fusão de cores e efeitos especiais a peça cresce e alimenta a expectativa de quem está assistindo um espetáculo. Mudanças de cenas, se é dia, se é noite pode ser marcado por uma boa iluminação. 

                Com os imensos recursos de hoje, moving light, luz de led, o iluminador tem a sua disposição uma infinidade de possibilidades de criar uma boa luz. Dessa forma, ele pode ter á sua disposição elementos para criar foco frontal, contra luz, foco lateral, luz de chão ou de ribalta, para citar apenas alguns exemplos.

                Mas é bom lembrar que uma boa luz no teatro não é fazer pirotecnia. É acima de tudo estar em harmonia com o espaço, com as cores dos figurinos dos personagens e com a atmosfera da cena. 

                  Uma boa luz nos encanta com o encanto do teatro.

           

quarta-feira, 23 de abril de 2025

DRAMATURGIA 1 - VESTIR O PERSONAGEM

                O figurino de um personagem é muito importante para sua identificação e para criar uma empatia com o público. Portanto, vestir o personagem torna-se tarefa profissional. Neste sentido, o figurinista é um dos profissionais mais requisitados para o teatro. Muitas vezes já está explicito no texto teatral pelo dramaturgo como se deve vestir o personagem. E uma das principais caracterização nesse sentido é dada pela profissão. Médico, advogado, bombeiro, empresário, ou seja, o figurino pode identificar perfeitamente a profissão da personagem. Mas isso é muito comum, e os bons figurinistas geralmente dão seu toque de criatividade.

                  Existem textos, no entanto, que é preciso uma pesquisa mais densa sobre como vestir o personagem. Geralmente esses textos são futuristas e ai a criatividade do figurinista e que vai determinar o sucesso ou não do figurino do espetáculo, seja ele na dramaturgia teatral, televisiva ou cinematográfica. Por isso é que a profissão de figurinista se torna tão importante na composição de um espetáculo. E geralmente essa é uma das funções em que o diretor do espetáculo menos dar suas dicas, creditando ao profissional sua total liberdade.Imaginemos espetáculos passado no século anterior e, portanto, pensar como as pessoas se vestiam. Ai vai, então, restar ao figurinista a responsabilidade de pesquisar de como aquelas pessoas se vestiam ou de como a própria sociedade se comportava quanto aos seus hábitos de se vestir, inclusive, na hierarquia social.

                 Outro fato importante no vestir o personagem para o teatro é pensar em cores. Como no teatro existe iluminação ara sinalizar tempo, atmosfera ou passagens, a cor do figurino é importante para não destonar ou ir de encontro a iluminação do próprio espetáculo. Muitas vezes o figurinista quer dar destaque a um figurino e suas cores e isso vai de encontro a luz do espetáculo. Portanto, é preciso também estar de acordo com a luz e o próprio ambiente do espetáculo. A não ser que o desejo do profissional seja outro. Mas ai já é outra história.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

O ENSINO DO TEATRO NA ESCOLA

        O teatro está inserido no ensino da educação básica como uma das modalidades artisticas. Quanto ao cumprimento ou não dessa norma é outra discussão. O importante seria reconhecer o teatro como condutor no desenvolvimento do aluno. 

       Na escola o ensino do teatro possibilita uma grande janela de abertura de horizontes para os estudantes. Não é ilusão pensar na descoberta de verdadeiros talentos para as artes cênicas no chão da escola. No entanto, esse não é o fim do ensino do teatro na escola, ainda que seja uma das possibilidades. Dentre as inúmeras vantagens do ensino do teatro na escola está a formação do cidadão para usufruir de bens culturais formando um público consciente de fruição da arte. Se ele vai continuar no muno do teatro depois da escola, o campo fica aberto e depende da vontade e do talento de cada um.

         O ensino do teatro na escola poderia ter o mesmo caráter qualquer disciplina, obvio que guardando as devidas peculiaridades, e não deixando de reconhecer alguns aspectos diferenciais entre um ensino e outro, ainda mais quando se sabe que a arte no país ainda passa longe de ser reconhecida como uma profissão sustentável. É a falta desse reconhecimento que tanto gera controvérsias e discussões. Discute-se a vontade do aluno em  querer ser artista ao invés de médico ou engenheiro.

            Mas o menino  que quer estudar para ser médico ou engenheiro não demonstra também essa tendência? E a menina que quer ser professora ou enfermeira já não brinca também com essas profissões? Porque na arte seria diferente? Muitos falam de um dom divino na arte, mas esquecem-se do investir-se de querer ser, do talento e da lapidação técnica desse talento.

            Precisa-se conhecer com mais propriedade os fundamentos do teatro na escola. Neste sentido, pode-se inúmerar varias possibilidades que o teatro tem de desenvolver o ser humano. Questões como socialização; confiança na capacidade de agir; descoberta da criatividade, e por ai vai,tudo está inserido nesses fundamentos.

          Formar cidadãos conscientes para usufruir de bens culturais vai gerar um público consumidor de cultura e girar a roda da arte, pois ninguém gosta do que não conhece. O ensino do teatro na escola, portanto, teria que ser fomentado em todos os seus aspectos de formação, sejam sociais, humanos e mesmo pedagógico.       

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

OUTRA DOS TEMPOS DE CHUMBO

                     Nos anos setenta, precisamente em 1972, o exercito brasileiro fez um exercício de uma tropa na cidade de Pedro II, estado do Piauí. O exercício dos soldados constava de um agrupamento contra outro agrupamento, onde um grupo de soldados - chamados de legalistas-tentaria prender outro grupo de soldados - chamados de subversivos. Uma paranoia das forças armadas da época.

                    A cidade de Pedro II Naqueles tempos era muito pacata, e a população até saldou e deu vivas ao exercito. Mas ninguém sabia do verdadeiro motivo da presença de tantos soldados na cidade. Passava mais como uma presença festiva. O comando da tropa entrou em contato com o prefeito, naquele período o doutor José de Castro, para tranquilidade de todos os cidadãos.

                   Os dois agrupamentos de soldados foram divididos nas suas funções e começaram os exercícios da tropa, conforme o plano de aprisionar o grupo de soldados subversivos. Acontece que a prefeitura municipal deu uma recepção de saldação ao comando do exercito, com almoço de boas v

terça-feira, 17 de setembro de 2024

TEMPOS DE CHUMBO

              Ao participar da FELIPI - Feira da Literatura Piauiense, promovida pela Academia Teresinense de Letras - ATL e Editora Lamparina, no Sesc Cajuina, dias 02 a 04 de setembro, como um dos homenageados, fiz uma fala ao público. Interessante é que de tudo que falei uma das partes que foi mais ouvida e teve repercussão foi sobre a ditadura militar. E foi por que contei apenas uma pequena passagem daqueles tempos de chumbo. Vamos aqui recordar ela e outras.

             Relatei que ao ir a policia federal para liberar meu texto teatral Alto do Corisco, no inicio dos anos oitenta, um texto que contava a história do Piauí de forma satírica, fui surpreendido pelo censor, um velho conhecido, com a seguinte questão. Você não pode colocar no texto a frase "Meu amigo liguei-se na liga do Julião". A frase fazia parte parte do texto, sim. E se referia a Chico Julião, criador das ligas camponesas do Recife na década de sessenta. Chico Julião se tornou um inimigo da ditadura. E foi exilado do Brasil por muitos anos. Eu, na frente do censor, me fiz de inocente. "Mas doutor porque?" O censor. "Porque não. Chico Julião é um subversivo! ". "Eu não sabia, doutor". O homem foi taxativo. "Não pode. Você vai ter que trocar esse nome por Pedrão, Raimundão, Toião, mas Julião não pode". Eu, simplesmente. "Tá bem, doutor". Recebi o texto mas nunca troquei o nome de Julião.

            De outra feita eu estudante da Universidade Federal do Piauí no inicio dos anos oitenta fomos surpreendidos quando a policia cercou o campos da universidade. Eu estudava educação artistica, e estava no auditório do departamento. A gente sabia da gravidade da situação naquele periodo. O embate entre os estudantes e a ditadura. Mas não esperava tanto. O certo é que foi uma correria danada dentro da universidade. Ninguém se entendia. estudantes cercado, bombas de gás, cacetetes, o escambau. Eu ao invés de correr para onde os estudantes estavam corri foi para dentro de um banheiro. Fiquei lá dentro me tremendo de medo. Na minha cabeça era fácil me pegar, bastava os soldados fazerem uma vistoria. O tempo foi um século. Então, tive a coragem de sair para olhar como estavam as coisas. quando sai do banheiro vinha um colega correndo ao me encontro. Vamos entrar no banheiro, ele quase grita. Entramos no banheiro. Ele disse que os soldados estavam vindo fazendo vistoria nas salas. Fo um terror. O que é que eu tinha a ver com aquilo? 

           Passaram- alguns minutos. Escutamos os soldados. Fiquie dentro do banheiro em cima do vaso sanitário. Um soldado entrou de relance e bateu com o cacetete na porta. a pancada foi terrivel. Viajei no tempo. Mas ele não entrou nos banheiros. Apenas falou alto que não tinha ninguém ali. Foi terrível!

             Tem muitas histórias do tempo de chumbo. Não dar para esquecer. Ditadura jamais!          

sábado, 10 de agosto de 2024

CARTA ABERTA AOS CANDIDATOS A PREFEITOS E VEREADORES DE TERESINA - 2024

                   Foi lançada pelo movimento THE CARNAVAL, no Conselho Estadual de Cultura, no dia 08 de agosto de 2024, uma cara aberta aos candidatos a prefeito e vereadores de Teresina - Um compromisso pela preservação do carnaval. O Movimento THE CARNAVAL é formado por vários seguimentos e movimentos carnavalescos da capital, e tem uma coordenação formada por Messias Júnior, Aci Campelo, Bernardo Sá e Edson Correia. Segue a carta.

                   Ás vésperas das eleições municipais, o THE CARNAVAL, um momento de salvaguarda do carnaval de Teresina, gostaria de expressar suas preocupações  com a constante descaracterização do carnaval de nossa capital. A preservação dessa festa popular, que é um importante patrimonio cultural imaterial, deve ser protegida e transmitida ás gerações futuras, junto com as representações carnavalescas (blocos e escolas de samba), grupos de samba de raiz, frevo e o corso do Zé Pereira.

                   O carnaval contribui para o fortalecimento da economia, criando oportunidades de emprego e renda para músicos, artistas, vendedores ambulantes e impulsionando uma ampla variedade de serviços, como bares, restaurantes, , hotéis, transportes e comércio. Além disso, preservar nossas tradições e celebrar a cultura são aspectos fundamentais.

                  O movimento THE CARNAVAL propõe um compromisso por parte  dos candidatos a prefeitos e vereadores de Teresina, no qual se comprometam com a proteção e melhoria da qualidade do carnaval da cidade. esse compromisso se baseia em três grande fundamentos:

                     1) CRIAÇÃO DA COMISSÃO ORGANIZADORA PERMANENTE DO CARNAVAL.

                        Após a definição do novo gestor municipal, torna-se necessário estabelecer, de forma temporária e extraordinária, uma Comissão Organizadora do Carnaval 2025 (COC 2025) por meio da equipe de transição. Essa comissão terá a representação das agremiações carnavalescas , como blocos e escolas de samba, além de contar com representantes do setor público e privado.

                          No inicio do novo mandato é fundamental uma portaria oficial para instituir formalmente a Comissão Organizadora Permanente do Carnaval (COPC) essa comissão terá a representação das agremiações carnavalescas, como blocos e escolas de samba, além de contar com representantes do setor público e privado.

                  2) LANÇAMENTO DA PROGRAMAÇÃO CARNAVALESCA NO ANIVERSÁRIO DE TERESINA, 16 DE AGOSTO.

                        A programação carnavalesca a ser lançada no aniversário de Teresina tem como objetivo celebrar o aniversário da cidade e valorizar uma das festas mais importantes do calendário - o carnaval.Com o intuito de engajar todos os setores do sociedade, busca-se criar uma atmosfera de união, comemoração e responsabilidade. O lançamento do calendário momesco a cada 16 de agosto evitará ações improvisadas, pontuais e ineficientes, promovendo a coordenação de esforços para garantir um carnaval que impacte, positivamente a vida social, cultural e economica da cidade.

                   3) APROVAÇÃO DA LEI DO CARNAVAL.

                       A  aprovação do lei do carnaval  se baseia na necessidade de estabelecer diretrizes claras para a organização do carnaval, garantindo sua segurança, infraestrutura adequada e fomento cultural. A lei busca regulamentar aspectos como a licença para blocos e eventos carnavalescos, a destinação de recursos para a realização da festa, a delimitações de horários e locais para os desfiles, entre outros pontos. a aprovação da lei é fundamental para garantir que o carnaval de Teresina seja realizado de forma organizada e com qualidade, tornando- o uma referencia no cenário nacional.

                    Esse é o compromisso pelo resguardo e melhoria da qualidade do carnaval da cidade de Teresina que o movimento THE CARNAVAL propões a sociedade e as candidatos a prefeito e vereadores nas eleições municipais de Teresina de 2024. Com isso a sociedade terá parametros minimos em mãos para o planejamento o organização do carnaval de 2025 e garantiria a formulação ou aprimoramento dos programas de governo dos candidatos, integrados a uma visão de planejamento de longo prazo que demonstre o compromisso com uma agenda de fortalecimento da economia criativa e da cultura popular.