quarta-feira, 30 de setembro de 2026

O INCRIVEL MUNDO DE ARTURO PAZ - Cont.

         No momento  em que  se iniciava a cerimonia houve um burburinho no recinto. Foi a entrada do secretario de Governo José Alencastre. O cerimônialista imediatamente anunciou o nome da ilustre autoridade, legitima representante do governo do Estado. Alencastre se dirigiu a Arturo Paz e o saudou em nome do governador com recomendações efusivas. do palácio do governo, depois se posicionou em acento reservado a autoridades. Muito tinha se falado na ausência do governador, o que seria uma desfeito, mesmo por que seria o primeiro mandatário do Estado a não comparecer a um aniversário de Arturo Paz.Mas ali estava o homem forte do governo representando sua excelência.

         Dando inicio a solenidade, o cerimônialista leu uma pequena biografia de Arturo destacando sua trajetória política oito vezes vereador e seis vezes prefeito de Piquiá, um homem simples sobre todos os aspectos, dedicado a família, aos amigos, e que amava a música clássica, a leitura e a cultura de sua terra. Representando os netos e os bisnetos, subiu ao púlpito a neta leticia fazendo uma fala lendo uma carta para o avó em nome de todos, depois lhe deu um abraço afetuoso. Em seguida, falou o filho Pedro em nome de toda a familia, seguido por diversos discursos de autoridades presentes, como deputados estaduais e federais, o representante do governador, vereadores e o presidente da Câmara Municipal de Piquiá. Para fechar as homenagens falou o prefeito de Piquiá. Arturo Paz voltou as suas lembranças.

         Lembrava-se muito bem. Na sexta eleição para prefeito de Piquiá Arturo paz teve que enfrentar nas urnas o jovem Antonio Gaspar, sem nenhuma tradição política e muito menos familiar. Um jovem ousado e petulante, sem dúvida, que se atrevia a desafiar Arturo Paz. Entusiasmado no seu propósito o jovem Gaspar tinha retornado a Piquiá depois da conclusão de seus estudos superiores e ingressado na política do município. Na seu discurso de candidato alardeava que Piquiá tinha que sair do eterno subdesenvolvimento e da pobreza extrema. Sem água encanada e sem luz elétrica, a cidade assistia o abastecimento de água nas casas em ancoretas em lombos de jumentos e uma luz fraca gerada por uma usina movida a diesel que deixava casas e ruas as escuras cedo da noite. O rapaz jogava toda a culpa do atraso na cidade nas administrações seguidas e desastrosas de Arturo Paz. O velho político teve que enfrentar um jovem valente e ameaçador de seu poder. Mas no fundo Arturo Paz admirava aquele jovem.

        Arturo Paz ganhou a eleição de forma humilhante. No entanto, o velho cacique político foi pego a contra gosto quando sua filha Lianara declarou sua paixão pelo jovem Antonio Gaspar e seu desejo de se casar com o jovem. Claro que Arturo sabia da paixão da filha e das invertidas do rapaz, mantidas ás escondidas, mas não contava com  a fidelidade da filha depois da derrota  do rapaz nas urnas.. 

          

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O INCRIVEL MUNDO DE ARTURO PAZ - Cont.

             A capelinha de Nossa Senhora do Livramento estava lotada, com cadeiras extras , e pessoas se aglomerando do lado de fora. O padre Zeferino Neto veio de Piquiá com os coroinhas e os ajudantes da missa. Arturo Paz estava sentado ao lado dos filhos Paulo e das filhas Leonara e Lianara, de netos e bisnetos. O prefeito de Piquiá e a primeira dama, com os secretarios do municipio, vereadores, deputados estaduais e federais e convidados especiais estavam sentados logo atrás de Arturo. Ao lado de Arturo sua cunhada Leonizia, irmã de sua inesquecivel Liduina, dez anos mais nova que a esposa morta. Leonizia estava plena na sua serenidade de quem guardava segredos a sete chaves no fundo da alma.

            Ali, sentado ao lado de Leonizia, Arturo paz recordava o tempo.

            Quando conhecera liduina Alves e suas irmãs. leonizia e Lindaura, filhas do doutor Crisóstomo, rico fazendeiro de Capunan, Arturo ficara em duvida com quem casar, só sabia de uma coisa, a mulher de sua vida estava entre aquelas três. Seu pai José Ferreira era amigo de Crisóstomo Alves e o casamento entre seus filhos seria a coroação de uma profunda amizade. Arturo dava asas a imaginação, Liduina era a mais recatada. De um olhar meigo e sorriso luminoso fora a escolhida para seu amor. as  irmãs tiveram que se contentar com a escolha e os pais dos jovens aprovaram prontamente. Mas leonizia, extrovertida e jogada na vida, e sempre peralta, não se conformou com a escolha de Arturo. Nos festejos da cidade e nas festas que compareciam juntos, sempre que ficavam a sós, leonizia se jogava nos braços de Arturo.

           Quando foi marcado o casamento de Arturo e Liduina, lembra-se Arturo Paz, ali sentado na capelinha aguardando o inicio da cerimônia, numa tarde quase noite a beira do açude onde ele levava os animais para beber, lá estava Leonizia pegando água. Com o vestido molhado a moça expunha toda a sua sensualidade e beleza. Uma pele alva brilhante e os cavalos negros caindo sobre os ombros numa visão bela a qualquer olhar. Leonizia não se fizera de rogada e levantou o vestido até acima das coxas.

       - Num vai me querer mesmo não? Sorriu ela com os dentes pefeitos.

        Naquele dia Arturo cobriu a cunhada tirando-lhe a virgindade de forma estonteante. Mas os dois sabiam que aquilo acabaria ali, mesmo assim ainda se amaram por varias vezes antes de Arturo casar con Liduina. O que Leonizia fez foi se recolher e nunca teve outra paixão na vida.

        Quando o cerimonialista começou a falar no microfone, Arturo Paz voltou a si.