sexta-feira, 16 de outubro de 2020

AOS CANDIDATOS E CANDIDATAS A PREFEITO DE TERESINA

                         Estamos postados diante da estátua de Wall Ferraz, grande prefeito de Teresina, rogando que o seu legado de homem público comprometido com a cultura possa inspirar aos candidatos e candidatas a prefeito nos seus projetos e compromissos para a administração de nossa capital. Tomamos essa atitude porque Teresina é uma cidade alegre, de um povo hospitaleiro e acolhedor! Na raiz dessa alegria está a criatividade e o talento de nossos artistas e de seus criadores, nos diversos campos da cultura e da atividade artistica.

                          Cantada em prosa e versos por seus poetas, escritores e músicos, é moldada pelas mãos de seus artesãos, artistas plásticos, cineastas, fotógrafos, e interpretada por seus atores e atrizes. Senhores candidatos e candidatas, para que tudo isso continue, é preciso assegurar mecanismos de investimento na área cultural, como forma não só de sustentabilidade de nossa arte, mas também de descobrir novos talentos e valores nos diversos campos da cultura.

                         Por isso, através desse manifesto, estamos reivindicando a qualquer um de Vossas Senhorias que seja eleito a prefeito de Teresina, o compromisso de restabelecer o Projeto Cultural A. Tito Filho, a Lei A.Tito Filho, da prefeitura de Teresina, criada pelo saudoso professor Wall Ferraz, quando prefeito de nossa capital. A Lei A.Tito Filho, senhoras e senhores candidatos, trata-se de incentivos fiscais para a realização de projetos culturais a ser concedido a pessoa fisica ou juridica domiciliada em nosso municipio, em forma de doação, incentivo ou investimento.

                    No período em que a administração municipal garantiu a sua efetividade, a Lei A. Tito Filho propiciou a realização de inúmeros eventos culturais. Dezenas de livros foram lançados, peças teatrais foram encenadas, filmes foram produzidos e festivais de música e dança foram realizados. Há oito anos, após modificações modificações introduzidas pela administração municipal, a Lei A.Tito Filho, que recebeu esse titulo em homenagem a uma personalidade ilustre que amava Teresina, está parada, seus objetivos originais esquecidos, causando enorme prejuizo ao desenvolvimento cultural da cidade. 

                 Portanto, senhores candidatos e senhoras candidatas, é preciso assegurar politicas públicas de cultura, de forma duradoura e consequente, preservando o nosso patrimonio material e imaterial, resgantando o plano editorial do municipio de Teresina, além de um olhar atento para as areas de cinema e video, artes plásticas e cultura popular, há muito tempo relegadas pelo poder público municipal.

                   Nesse ambiente de desprestigio da cultura, sofrem artistas e produtores, fragiliza-se a economia, perde a cidade. Quando a cidade perde, na verdade quem perde é o povo. Pois, como dizia incansavelmente o inesquecivel professor Wall Ferraz, "A cidade é o povo".

                   Por tudo isso, esse manifesto pede a candidatos ou a candidatas eleito para a prefeitura de Teresina o compromisso com a cultura, fazendo valer a Lei A. Tito Filho para o bem de todos.

                                                                  Teresina, 12 de outubro de 2020


quarta-feira, 30 de setembro de 2020

CARTA AO AMIGO RAL

                                               Publicado no Jornal O Estado, 28.04.1991


                Caro amigo Ral, poeta e articulista cultural do conceituado Jornal O Estado. Acerca do artigo"A Arte Piauiense Agoniza nos Bares", onde eu sou citado como um dos agonizantes, e depois de acompanhar outros escritos  de sua autoria sobre a música e a dança, passo a fazer algumas reflexões, esperando não ser mal interpretado.

                Você se lembra quando iniciou sua página cultural?Quando eu colaborava fazendo contos, criticas e analises teatrais?Quando a gente juntos tomava porres ouvindo aqueles discos de repentistas - "Recordação do Passado", "Brasil Caboclo" fazendo projetos para o futuro? As mesas dos bares eram ótimas, não é Ral? Talvez por causa delas, as mesas dos bares, nós continuamos a resistir e a enfrentar as mazelas e as interpéries do tempo. Você um cavaleiro da Távola Redonda intrincheirado na sua página cultural, única a sobreviver até hoje, eu escrevendo e produzindo teatro há mais de dez anos, como um Golias a enfrentar ataques e massacres de todos os lados. Sobrevivemos amigo Ral. As mesas de bares continuam a alimentar  nossos espiritos, nossos sonhos, nossas ansiedades, quando pedimos aquele conhaque ou aquela gelada, olhos enviesados.

             O que me estranhou Ral foi a sua afirmativa de que nossa arte agonia nos bares, quando muito o que os bares servem é para conversas, namoricos e criações eteréas e, quem sabe, evitar que nós artistas, nos escafedemos do Piauí ou que tenhamos destinos mais trágicos, o suicidio. Muitos se foram, muitos morreram, por não aguentarem o marasmo ou o ostracismo que foram relegados. Não é o nosso caso Ral, mesmo que soframos na pele a incompreensão, o descaso e o escárnio. Mesmo que a politicalha continue a dominar a vida dos piauienses, mesmo que a oligarquia apenas se alterne no poder, mesmo que a educação, a saúde e a cultura estejam no camburão do lixo. Que bela trincheira a explorrar, não?

           Eu lhediria Ral que nós aprendemos, e este aprendizado foi amargo e tem sido amargo, mas construído sobre bases sólidas. O que nos dá sustentação moral para continuar fazendo nossa arte. Aprendemos, por exemplo, que o parceiro ao lado, seja poeta, músico, bailarino, artsta plástico, seja mortal ou imortal, não é o inimigo a quem devemos achincalhar, expor á opinião pública. O inimigo comum é outro Ral. Nós já passamos dessa fase de acintar o colega de profissão e se nós o mencionamos é no sentido de engrandecê-lo, fazendo critica construtiva e mostrando alternativa. O nosso inimigo comum, amigo Ral, é quem acaba por acabar os orgãos de apoio á cultura, é quem deixa o povo sem usufruir dos bens culturais, sem poder comprar um livro, assistir a um show ou a uma peça de teatro; é quem mete na cabeça do povo que artista e professor é vagabundo; é quem bota o povo para se esbagaçar em busca de um naco de pão. Nós temos muitos assuntos para mesas de bares, não é Ral?

           Você já pensou Ral em abrir sua página para um debate amplo com os artistas e os intelectuais do Piauí? Qual seria o projeto do presidente da Fundação Cultural? O que ele pensa desse discurso metido  neoliberal do governo, quando ele coloca que a cultura sempre foi paternalizada? Onde, amigo Ral? O máximo que pode ter havido foram privilégios de certo grupos encastelados no poder. Cultura tem que ser cuidada pelo estado mesmo, que deve cumprir o seu papel constitucional. Você já colocou na sua página o trabalho maravilhoso da APL; como é que a Academia consegue lançar tantos livros, ter uma ótima biblioteca, apoia tão sistematicamente a cultura piauiense? E o O.G. Rego de Carvalho, amigo Ral. Já não bastaria nos ter dado "Rio Subterraneo", "Somos Todos Inocentes", para que passássemos a admira-lo para o resto da vida?Porque não entrevista o presidente da Tv e Rádio Educativa, sobre o que ele pensa da regionalização dos meios de comunicação,ele que está modificando a programação da emissora com a premissa de que estava artistica demais.Ora, de que vive a televisão senão de arte? Onde fica o binomio educação x cultura posto no documento de diretrizes do governo estadual.E os artistas anonimos, amigo Ral, verdadeiros talentos das áreas de teatro, dança, música, literatura, artes plásticas, etc.?

           É isso aí, amigo Ral. Vamos nos entrincheirar em prol de uma causa comum e esquecer um pouco do nsso umbigo. Temos este papel de espelho, de formadores de opinião. Um estado isolado e triste culturalmente como o nosso precisa dessa corrente. Um abraço.

 

                                                          Nota da redação. O dramaturgo Aci Campelo não entendeu nada do artigo "A Arte Piauiense Agoniza nos Bares". Para um melhor aproveitamento da leitura publicaremos uma bula ao lado dos próximos artigos. Que o Aci nos aponte os gênios da raça em qualquer campo artistico ou cultural. No momento desconhecemos.

                                                                                      artigo " Arte Piauiense Agoniza nos Bares".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


terça-feira, 15 de setembro de 2020

AOS ATORES

               Aqui acolá uma pergunta sobre o comportamento de nossos atores. Como lidar com isso? 

               Uma das coisas mais importantes em cena, sem dúvida, é a generosidade do ator para com seu companheiro. Essa é uma visão compartilhada por todos que fazem teatro. O ator tem que ser generoso com seu semelhante, seja ele iniciante ou um experiente artista. Mas como ser generoso em cena, se o que parece menos importante, em grande parte dos atores,  é o rigor e a disciplina. Colocamos essa questão porque lidamos com uma realidade cada vez mais presente, a ansiedade e a displicência. Realidade de nossso tempo tão veloz? Talvez, no entanto, mesmo assim é uma realidade triste.

                  Se os atores fogem de obrigações na preparação do espetáculo, a rigor não estudam a construção de seus personagens, não comungam com a equipe a construção dos signos da montagem e, dessa forma, não se investem de atores em cena. Faltar ensaios tem justificativa, sim. O que não tem justificativa é a ausência da vontade de participar e de ser. E, para essa vontade de ser, não importa que diga apenas uma ou duas falas do texto, ou que seja apenas um figurante.O espetáculo se completa com a presença, o esforço e o talento de todos.

                 Existe, também, o exibicionismo do já sei, do deixa que eu faço na hora. Essa, além de ser um tipo de indisciplina, é uma arma terrível contra o bom desempenho e a arte do ator. Na nosso trajetória nos labirintos e nos bastidores do teatro temos visto e sentido esse drama.  Muitas vezes elencos, e até grupos ou coletivos se desfazem,  porque o diretor procura fazer seu trabalho com o rigor e a disciplina que a profissão exige. Claro, que existe a necessidade de ser maleavel, a necessidade de reconhecer os entraves para quem faz teatro, especialmente no Piauí, onde o mercado de trabalho é quase inexistente. Há a necessidade de reconhecer o malabarismo para sobreviver. E aqui estamos falando daquele ator/atriz que já se definiu na profissão, imaginem aqueles iniciantes com toda pressão e ansiedade de ser artista. Portanto, essa incompreensão da realidade tem levado, também, ao fim muitas iniciativas auspiciosas, quando o grupo/coletivo, ou mesmo um diretor, fecha-se em seu mundo, tornando a  convivencia um gueto, obrigando a todos a uma rigidez e a um rigor disciplinar muitas vezes ultrapassados. Ao não reconhecer a realidade da falta de sustentabilidade, e não querer discutir essa realidade, talvez perca-se a essência da rigidez.  

               Tudo passa pela disciplina, sem dúvida.O investir-se no desempenho do papel de ator. Mas o bom senso é um guia na hora das dificuldades, e a compreensão das dificuldades pode salvar, inclusive, um grande talento. 

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

CAVALINHO AZUL, A Poesia de Volta ao Teatro.

                                                       Publicado no Jornal Diário do Povo 20.11.1994


               O mercado para o teatro infantil em Teresina sempre foi um filão dos melhores da arte, todavia pessimamente explorado pelos grupos de teatro da cidade, sendo raros os produtores que primam pela qualidade dos espetáculos promovidos. Certas armações são um abuso em cima das crianças, indefesas por causa das rarissímas opções ou porque os pais desconhecem aquilo que o filho estar assistindo no teatro. Teatro infantil é, na essência, sinônimo de formação, formação do gosto, da personalidade, da fruição da arte e da cultura, sem maniqueísmo bobo ou falso moralismo.

                    Os últimos espetáculos infantis apresentados no Theatro 4 de Setembro foram de uma falta de imaginação acima de qualquer suspeita. Se é que podemos chamar de teatro infantil uma miscelânea de bonecos, caricaturas de animais, pernas -de-pau, malabaristas, aprendiz de mágicos, palhaços, tudo embalado por trilhas musicais, até "Zé Bandeira e Seu Agente Tetra", entraram na legitimização da falta de imaginação.

                    No meio do conturbado caos surge "O Cavalinho Azul", de Maria Clara Machado, com direção de Arimatan Martins, numa montagem do Grupo Harém de Teatro, com músicas originais do maestro Reginaldo Carvalho. Belo exemplo de bom gosto e de respeito ao publico infantil, quando o diretor se deixa levar pela poesia de Maria Clara Machado, captando sua essência,sem cair nos modismos momentaneos. Até a música original de Reginaldo Carvalho, criada no ano de 1960 para a estreia do espetáculo no Teatro O Tablado, no Rio de Janeiro, foi mantida e continua pontuando o espetáculo muito bem. Arimatan conduz o espetáculo de forma a não agredir o lúdico e a fantasia, colocando a imaginação de diretor a serviço do encantamento. São ícones, simbolos e signos num processo crescente para atingir o melhor resultado, seja estético ou de compreensão. Para a criança, não poderia ser mais bonito. Ainda que a criança Teresinense pareça viciada em palhaçadas e saramaleques no palco, prende-se ao espetáculo. "O Cavalinho Azul" é este momento mágico que pode trazer de volta a alegria do teatro infantil. Uma produção simples, mas de extremos zelo e cuidado.

                  Em "O Cavalinho Azul" nem tudo é tão azul. Existe a lentidão na interpretação do menino Vicente, falta explorar mais a graciosidade da personagem Menina e explorar o Palhaço fazendo-o mais palhaço, coisas fáceis de resolver. Outra sugestão é que não se faça coringa com o ator Siro Siris, na intrpretação da Velha-Que-Viu. a falta de atriz será tão grande na cidade? O resto é um Cavalinho Azul que resgata o fazer teatral infantil Teresinense, que há muito não via um espetáculo tão digno para a criança.           

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

A AGONIA DO 4 DE SETEMBRO - FINAL

             O Theatro 4 de Setembro, monumento simbolo da cultura piauiense, tombado pelo patrimônio artistico do Estado, está se deteriorando e desabando, sem que o governo do Estado, a elite empresarial e a própria sociedade tomem conhecimento, como a dizerem que nada daquilo interessa, e que os artistas não merecem credibilidade, e nem produzem para a sociedade, portanto, que se danem. Quando colocamos que a inexistenia de uma politica cultural para o Estado parece uma coisa deliberada é porque o governo tem conhecimento da situação, constrange-se com ela, mas faz olhos de mercador, ou lava as mãos como Pilatos. Porque queiramos ou não, é no Theatro 4 de Setembro onde a cultura se espelha, onde persiste a resistência e onde se ousa mostrar e criação. Isso serve para as artes plásticas, a danaça, a música, o teatro e qualquer tipo de expressão.

              Anestesiados num processo violento que inclui uma politica local nefasta, os artistas ficam a espreita, com os olhos na fresta, sempre esperando por eleições onde se alternam no poder grupos da elite, na esperança de mudanças na área cultural. Mero devaneio de uma classe enfraquecida por um mercado de trabalho inexistente, onde a noite teresinense neterra músicos e cantores; onde muitos artistas estão nos orgãos públicos batendo ponto. Esse olhar na fresta impede uma discussão mais ampla, um enfrentamento d situação caótica permanente em que o Estado coloca a cultura.  Se a classe artistica se divide entre vários grupos politicos, que por ventura venham a governar o Estado,  á cata de favorecimento cada um com seus projetos individuais, essa classe vira curriola, joguete. Talvez por isso a falta de respeito com o artista, o orgulho e a admiração pelo seu fazer. Sem contar que a divisão,muitas vezes, gera brigas, desavenças, tudo pela ilusão  do poder de barganha.

           Esse perfil que traçamos pode ser cruel, mas pode ser verdadeiro, basta se ver a passividade da classe artistica, que não instiga, não esperneia, não exige, pelo contrário. Qual a herança cultural deixada aos novos talentos? Talvez a herança da alienação. Na semana deaniversário do Theatro 4 de Setembro seria bom momento para a reflexão, para o ajuntamento, para a ousadia.é impossivel assistir-se ao desmoronamento de um espaço vital para a arte e a cultura piauiense. Não existe essa do governo não poder pagar seiquer a elaboração de um projeto estrutural para a reforma da casa  ou nem possa entrar com contrapartida com o governo federal. Fica-se, então, de raços cruzados? Existem empresários sensíveis as questões cullturais, assim como existem artistas que não se preocupam com a  questão, por considerarem que já atingiram os portais da fama, numa terra onde fama se parece com noticia de jornal passado. é estranho isso. Não se coloca aqui o caso atipico do humorista João Claudio, alavancado no sul do país com seu talento,claro,  tendo antes a ajuda do governo do Estado. Nesse sentido, o mesmo governo do Estado poderia se empenhar e ajudar os inúmeros talentos que também estão a espera de uma mãezinha. Mas a Fundação Cultural do estado sofre uma fala cronica de recursos.

           Para nós com esse papel de articulador, um tanto antipático, por razões claras, ficamos engasgados com todas essas questões postas. Muitos dirão que vivemos em um mar de rosas. Para nós, essas opiniões parecem galhordas nesse momento. Ao dizer ao contrário, nós estamos demonstrando responsabilidade  com a dinamica cultural.

            Muitas situações locais se remetem a própria condição do país, mas um projeto cultural para o estado do Piauí há muito é alamejado, e o estado não pode ficar eternamente a reboque de outras situações. Fala-se no Estado em mudança de tudo,menos de olhar para a cultura.Claro, o Estado não pode ser sempre o grande o pa, mas sem dúvida tem responsabilidades na condução do processo cultural.O que estamos vivendo agora é uma situação criada por falta de uma estratégica lá detrás com a cultura. Mas tudo pode ser sanado. o Theatro 4 de Setembro na semana em que comemora aniversário merece mais do que uma festa. Merece continuar de pé.

                  

sábado, 1 de agosto de 2020

A AGONIA DO 4 DE SETEMBRO - I

                                                                              Publicado no Jornal Meio Norte, 03.09.1995


        No dia 10 de março de 1975, portanto, há vinte anos atrás o Theatro 4 de Setembro era entregeu ao público totalmente reformado e com equipamentos de som e luz de última geração para a época. Um dos melhores do pais. E hoje, como anda a casa de espetáculos na semana festiva em que comemora mais um ano de existência? É uma pergunta simplória, mas um pretexto para se colocar algumas questões de fundo sobre o processo cultural do Estado.
         Sem acompanhar as rápidas transformações técnicas e estruturais, o Theatro 4 de Setembro é hoje um monumento agonizante. Falta de quase tudo. Um tormento para companhias e artistas que o procuram. Um teatro que é sustentado pelo poder público, onde se paga desde os serviços de palco a bilheteria.  Porque o teatro estatal chegou a esse ponto é uma pergunta pertinente.
          Dominado sempre por uma politicalha de bastidores quando da escolha de seus dirigentes, foram pouquissimos os diretores da casa que tiveram algum projeto, mas que não puderam incrementar, seja pela falta de recursos ou pela guerra de comando que sempre imperou entre a casa e a Fundação Cultural do Piauí, orgão ao qual é ligado. E mais, muitas vezes, o convidado a dirigir a casa perde a paciência ou é humilhado pela falta de apoio do governo que nunca definiu uma politica de ocupação do espaço, e que sempre esmagou até ás últimas consequencias os técnicos especializados que ali trabalharam ou trabalham, com salários aviltantes e sem perspectiva de solução.
           Hoje a casa tem no seu organograma três diretores, reflexo de uma forma pifia de acomodação politica.Não se coloca que não seja necessário, a colocação que se faz é, antes de tudo, com o compromisso a prevalecer com a casa, até o momento inexistente. Óbvio, se as funções são escolhidas por critérios politicos, a própria politica trata de camuflar os males.
         O retrato claro que se tem, sem nenhum ranço, pois vivemos dentro do processo cultural e, principalmente, teatral é a de que a inexistencia de uma politica cultural no Estado é de propósito, de forma deliberada e maldosa, colocando a cultura a reboque no sentido de humilhar a classe artistica e os trabalhadores cullturais, impedindo dessa forma que a sociedade conheça seus talentos.E os artistas como se comportam nesse processo?
     .      A pequena burguesia e a casta privilegiada do estado é cruel com seus talentos locais, se não saem de suas próprias fileiras. ou não caem nas suas graças. Diga-se servilhismo. O Theatro 4 de Setembro pouco representa para essas classes que podem pegar um avião e ir ver espetáculos em qualquer parte do país.Isso não é privilegio do Piaui, mas aqui a hipocrisia é maior, por que trata-se, além de tudo, de negar e denegrir o que aqui se produz de arte. Portanto, desvalorizar o próprio Estado.Para a casta social o patrimonio artistico e cultural pode vir a baixo, ser extinto. Não faria falta, e seria uma delicia para muitos assistir a miséria total.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

FESTIVAL DE VIOLEIROS, 25 ANOS DE UM VENCEDOR

                                                        Publicado no Jornal Diário do Povo, 29.08.1998


                Vinte e cinco anos de evento símbolo da cultura popular  de uma região, o Festival de Violeiros do Norte e Nordeste termino sua última edição no dia vinte e três passado, em Teresina, comemorando suas bodas de prata em um coroamento de sucesso absoluto desse quarto de século.
                 Um evento para prosperar tanto tempo é preciso que tenha alguns ingredientes indispensáveis na sua trajetória, entre os quais, profissionalismo, organização, competência e público alvo. É na somatória desse conjunto que ele se realiza e se espalha para o grande público, levando a uma simbiose entre os participantes do evento e a plateia que ama o repente. E ainda, os admiradores, os simpatizantes, os pesquisadores e os estudiosos do assunto.O que se viu no Teatro de Arena, durante os dias 20 a 23 de agosto foi uma plateia delirante e entusiasmada e, pasmem, formada por grande número de jovens o que, seguramente, promete vida cada vez mais longa ao repente, a viola  e a literatura de cordel.
                Criado em 1971, o Festival de Violeiro do Norte e Nordeste atravessou o tempo vencendo dificuldades, verdadeiras guerras de negativas, para chegar a vitória com um sabor digno de um grande vencedor. Não é brincadeira o que se tem estudado sobre o repente motivado pelo Festival, e o que se tem produzido de Cds, folhetos e livros. A Casa do Cantador hoje é passagem obrigatória de estudantes e pesquisadores assombrados com a fora e a comunicação da literatura de cordel.
                   Incorporado ao calendário civico do aniversário de Teresina, em 1975, pelo então prefeito Wall Ferraz, o Festival de Violeiros do Norte e Nordeste é um dos únicos festivais da área em que a participação dos repentistas se dá de forma total e sem nenhuma restrição restrição a dupla de violeiros, portanto, o festival mais democrático do país. Neste sentido, tem descoberto verdadeiros talentos da viola num congraçamento salutar de cordialidade, por que o evento também não é competitivo. É interessante um iniciante ao lado de violeiro veterano, verdadeira aprendizagem aos olhos do público. Assim, o Festival de Violeiros do Norte e Nordeste cumpre com o papel de realizar o sonho daqueles que almejam  a carreira de repentistas ou mesmo daqueles que só cantam uma vez ali por qualquer motivo ou mesmo por que o talento lhes falta para tentar outra vez. De qualquer forma o Festival realizada sonhos.
               Um grande evento não seria possivel chegar ao coração do povo sem que por trás haja a figura de um grande idealizador, talvez, um dos fatores mais forte para o sucesso. No Festival de Violeiros do Norte e Nordeste temos a figura impar, carismática e talentosa do professor Pedro Mendes Ribeiro, alma e vida daquele evento. Ao completar vinte e cinco de existência  sob o seu comando, dá-se o exemplo de como a persistência, o desprendimento e o amor pela cultura podem fazer a diferença na hora da realização de um empreendimento que, aparentemente, seria fácil de conduzir. O professor Pedro Mendes Ribeiro mostrou na sua obstinação que a cultura liberta de amarras e fez da literatura de cordel, da Casa do Cantador e do Festival de Violeiro do Norte e Nordeste, m exemplo para o país e para o mundo de que a cultura popular é rica e densa de saber, e que merece ser valorizada por todos.