segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

A FUMAÇA DO CIGARRO - FINAL


           Fitou um bom tempo o retrato, olho no olho. Tornou a olhar as horas. Marcos parecia não vir.
        A ansiedade era imprópria do seu ser. No entanto, aquele era o seu primeiro teste individual, ditado pela outra dimensão. A dimensão das trevas.Procurava, portanto, tranquilidade em cada gesto dado. Mas o tempo passava e Marcos não vinha. Claro, que o tempo poderia ser recuperado, só os bobos não sabem disso. No entanto, ele queria dar uma demonstração de poder. Marcos tinha de ser conquistado de livre e espontânea vontade, somente assim ele não ficaria responsável pelo seus atos. Queria o amigo do seu lado como um cão fiel, e assim demonstraria para todos o seu poder de sedução. Virou repentinamente para o outro lado da cama. Seus olhos foram diretos no pequeno resto do cigarro no chão. Sobressaltou-se pela visão caótica que vislumbrou. O amigo Marcos envolvido na fumaça em espiral  se perdendo no infinito do mundo sombrio.debatia-se aos gritos, a mente  em recusa, o corpo ardente, consumindo-o. 
        . Levantou-se. Correu para a porta e encontrou a empregada, cheia de aflição.  
        - O telefone...
           Pegou de vez o aparelho. A voz do outro lado desesperada:
        - Uma desgraça, venha imediatamente! Por favor...
          Saiu quase correndo. As visões, a fumaça. Tinha que chegar a tempo.
          A casa do amigo estava em silencio. Foi recebido pela mãe que tinha o olhar cheio de dor.
        - Ele mandou chamar você. Não quer falar com mais ninguém...
        - Eu sei...
          O quarto era simples como o dele próprio. A cama de solteiro. A imagem esculpida em argila da figura diabólica colocada em um canto fazia a composição com posters gigantes de figuras importantes da humanidade. Marcos tinha o olhar perdido num ponto qualquer. Ajoelhou-se a seu lado e segurou sua mão. Pediu a mãe do rapaz que saisse do quarto. A fumaça do cigarro ainda era visivel no ambiente. De olhos nos olhos, sentiu  a serenidade do amigo como nunca sentira antes. ficou em silencio a observá-lo.
         O negócio é atravessar a primeira fronteira. É muito dificil e poucos conseguem por conta própria. Sentiu que não precisaria guiar mais o amigo, de agora em diante seguiriam a  mesma jornada , numa união ainda maior em busca do bem. Venceriam as trevas.
           O amigo tinha vencido a primeira prova, e ele  tinha demonstrado todo o  poder de sua mente. O mundo estava a seus pés. Sabia da luta intensa que teria que travar, mas afinal tinha conquistado mais um para o reino das trevas. O combate tinha que ser naquele mundo do mal.

sábado, 24 de novembro de 2018

A FUMAÇA DO CIGARRO - 2


        O pequeno relógio que lhe apertava o pulso o fez tirar os olhos do teto e olhar as horas. Já podia sentir o contato do mundo externo através de zoadas de motores e vozes penetrando de fora do quarto. Ainda tinha tempo. Voltou a mesma contemplação.
        Pensava em Marcos. Sua relutância em fazer parte desse misterioso e agradável mundo. Não tinha problema. A questão de como se encara determinadas coisas e os descobrimentos dos porquês de não aceitá-las, não leva ninguém a morte. No máximo se perde um pouco do ritmo de vida.Não fazer o que se quer pouco se tira a ideia do que se quer fazer. A ideia continua e a vida também, simples. Ele continuaria a esperar pela decisão do amigo. Não constitui mérito algum de ninguém forçar o outro a tomar decisões, muito menos de repudiá-las. O importante era o convencimento, a persuação, injetar-lhe animo, acompanhar, para que decidisse a deixar de lado as fraquezas humanas. O tempo mostraria a razão. A descoberta de cada face da vida, a profundeza das coisas e seus significados.
         Ele próprio tinha chegado ao final do que queria. O indivisivel. Apalpando com vigor o prazer de direcionar o seu ser mais escuro. Era só penetrar aquela fumaça, misturar-se com ela no ar e ver cada integrante de seu ser. Uma imensidão de mundos rotativos.
        Tornou a olhar para o relógio. Agora, para a porta. Marcos tinha que, pelo menos, lhe dar um retorno qualquer que fosse. Não cabia, porém, nenhuma ansiosidade.
         Os olhos deram um passeio lentamente pelo ambiente. Um arrepio percorreu o corpo No meio daqueles cartazes gigantes um retrato estava isolado por mero acaso num canto do quarto. Não tentou desviar a visão, mas encará-lo profundamente, e deixar-se perder nos labirintos que ele oferecia. A fumaça estava presente, densa, de chumbo, envolvente e hipnotica, como um raio a cortar laminas de água. O calafrio, os olhos estáticos, mas firmes e corajosos, procurando não fugir daquela figura. Já tinha vencido todos os estágios e estava ali, inteiro. Portanto, era capaz de vencer o último degrau. Assim teria seus discipulos, suas legiões, e poderia por em prática suas doutrinas, livremente, sem hipocrisias,  e sem bajulações pelas caricaturas humanas.
      

sábado, 3 de novembro de 2018

A FUMAÇA DO CIGARRO - 1



         Girava em aspiral pelo quarto cheio de posters dos seus ídolos, do mundo artístico e literário, sendo acompanhada e admirada pelo ar com perplexidade e extase.  Quando expelida era densa, cor de chumbo, só então ia mudando de tonalidade: um azul claro, um branco prata, até clarear de vez e sumir. 
        Não perdia um movimento de sua delicada trajetória, nem dos fios que se desgarravam do seu  núcleo, o olhar procurando cada fim, a mente fixa no que fazia. A cada tragada um prazer diferente, um gosto profundo pelas coisas ocultas da vida, uma vontade de levitar, ficar invisivel, misturar-se com o ar. Mas o cuidado com o cigarro, que diminuia cada vez mais, o fazia voltar para a realidade.
        Não podia perder um milimetro do que restava, e todo seu ser tinha que participar integralmente, entregar-se sem relutância, para poder deixar-se levar e usufruir de todas as essenciais que lhe beneficiariam naquela longa jornada. Sabia memorizado todos os truques daquele ritual, todas as etapas a vencer e todas as dificuldades que os iniciantes, como ele, encontrariam pelo caminho. No entanto, aquele era o primeiro passo, daí viriam os outros como reticências, não podendo haver quebras, pois não haveria chance alguma de retorno ao inicio. Era uma regra básica. Tinha que seguir fielmente o desenrolar dos fatos.
      Quando terminado o cigarro, sabia. Uma incrível sensação tomaria conta do espirito, fazendo- o navegar em turbilhão por lugares nunca dantes navegados pela memória. O quarto e a fumaça, e seus artistas preferidos, e ele olhando o teto fixamente, deitado em sua cama de solteiro. Os retratos que eram mitos nas paredes, grandes astros do cinema, da música, das letras e de personalidades da politica, da igreja e dos negócios, superpostos, como  uma advertência do perigo que corriam todas as especies que habitam o mundo. Dava um tempo para curtir o odor da fumaça sendo consumida pelo ambiente. Já estava quase na hora de sentir o que vira durante o viagem. Severas criticas ao sistema vigente nos comportamentos humanos, e que se não reparados urgentemente,  poderiam acarretar a derrocada final de tudo que estava posto com grande velocidade. A viagem sempre fazia desaparecer a sensação de impotência que deixava os corpos em torpor diante dos absurdos que se apresentavam, fazendo-os fortes, vigorosos,seres fantásticos. Era isso que ele queria compartilhar com o maior número de pessoas.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Mestre Maleiro, O Deus do Brincadeira


          O Bumba- Meu-Boi  é um dos mais autênticos folguedos populares do Piauí, e uma das mais importantes manifestações da cultura popular de nosso povo. Bumba-Meu-Boi ou Boi de Reis, o Bumba-Meu Boi do Piauí surgiu no inicio da colonização do Estado, quando das primeiras doações de terras. Auto de imenso teor dramático e lúdico, verdadeira magia teatral, é ligado ás festas de São João e de São Pedro, tradicionais santos da igreja, mas também de outras festividades, como o natal ou dia de Santos Reis. O Bumba-Meu-Boi atravessou o tempo na memória de nossa gente mais humilde.
            Seda, chitão, chapéus, fitas, espelhos miçangas, canutilhos, zabumbas, onças, maracás, apitos, chocalhos, pandeirões, matracas, fazem o ritmo da dança para índios, caboclos, vaqueiros, curandeiros, amo, Chico e Catirina, e para tantas outras figuras, em um terreiro enfeitado de mourão e bandeirolas. É a dança do Boi, dramas e imagens impressionantes do que há de mais forte no imaginário do homem simples: as misérias que o acompanham e uma vontade férrea de viver.
           A morte do boi é um ritual divino, cerimonial encantador. É desse encanto e dessa magia que surge um homem simples, com toda sua força, para reinar absoluto na dança do Boi - Antonio Gomes dos Santos, o mestre Maleiro. Seu Boi é o Grupo de Bumba - Meu - Boi Riso da Mocidade, nascido no bairro Matadouro, no Piauí, ainda na década de trinta, pelas mãos de outro mestre, o mestre Passarinho. "Lá vem o Boi da rua Grande/Lá vem o boi!/E cheguei toda a vaqueirama/Lá vem o boi!" 
          O Boi Riso da Mocidade mudou-se para a cidade de Timon, onde mestre Maleiro e sua linda família, filhos e netos, mantêm o Grupo perpetuando para as novas gerações o espirito da brincadeira. Mas o Riso da Mocidade não é só um grande, é uma nação de amantes do Bumba - Meu - Boi, um ponto de cultura e uma escolinha, Raio de Luz, onde crianças aprendem a amar e praticar a sua cultura.
           A pessoa de mestre Maleiro, na condução do Grupo de Bumba - Meu - Boi Riso da Mocidade, é força, determinação, talento, alma guerreira, um Deus do terreiro, do ritmo, do canto e da alegria!  Seu amor pelo que faz é tão grande como grande é o desejo de todos nós, que seu legado não se perca nunca. 

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

VERDURINHA


            Corria os anos oitenta. Verdurinha era um inferninho escondido por uma única porta de entrada, dessas sazasaki, localizado no bairro vermelha, em Teresina. Era entrar e sair pela mesma porta. Só ia lá quem sabia. Propaganda só de boca em boca. Um lugar fedorento, mistura de bafo de cachaça com cigarros baratos. Quando se entrava no salão, e era apenas um grande salão, uma fumaça cobria sua vista que era preciso tempo para visualizar as coisas.
              O ambiente era cheio de prostitutas, mulheres de todo tipo, pareciam ter saído do filme O Vingador do Futuro, se misturavam aos bêbados, drogados, rufiões e bandidos de toda espécie. Eu e meu amigo gostávamos de ficar no pé do balcão, de olho em tudo. A primeira coisa era pedir um litro de vodka, dessas que sabíamos ser cortada, ou seja, falsificadas. Mas fazer o que? A música era uma mistura de sucessos bregas e lá vai Waldick, Evaldo Braga, Fernando Mendes, com a sujeira americana própria das boites da época. Ninguém reclamava, aplaudia. 
            A bebida rolava solta, mas o grande charme era o cigarro no bolso.Ali dentro daquele inferno, um luxo.  Portanto, era para fumar e dar. Para as putas, claro. Ainda que fosse para elas darem para seus homens, ou cafetões. Nisso eu era craque, pois não fumava. Mas a Hollywood estava sempre no bolso, e cheia. Quando não, a charmosa carteira de Carlton. 
             Passávamos pouco tempo sozinhos, pois as mulheres logo encostavam, a pedir alguma coisa. Ou mesmo para se entregar. Ali no Verdurinha você escolhia a carne que quisesse, a preço de banana, ou simplesmente a preço da bebida. Tinha apenas que saber escolher, por que senão corria perigo, e a próxima parada podia muito bem ser a boca de pau, a temida delegacia do bairro Piçarra, onde a taca comia solto no couro dos presos.
            Naquele dia eu não estava a procura dela. Uma lourinha que tinha encontrado ali mesmo no Verdurinha, cheia de alegria e palavras, e de cheiro no corpo, e de dentes perfeitos e cabelos fartos.  Um espanto naquele lugar. Tinha ficado várias vezes com ela, mas agora quem sabe, não encontraria outra? A música e a bebida rolaram na noite. E meus olhos embaçados, e a conversa com o amigo descambavam para outros rumos. A política daqueles tempos, jogando o país para um lado e para o outro. Mas até ali essa conversa?
           Foi quando ela chegou ao pé do balcão e se jogou em meus braços. Estava bebinha, e o cheiro de seu corpo exalava o puro prazer da fêmea, limpo, inebriante. Fazia tempos que eu não a via. Mas parecia coisa de ontem. Aquela moça era um feitiço,como feitiço era o Verdurinha, um inferninho que deixou de existir, para o desespero de toda espécie de homens. Inclusive o meu. 
               

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

BASTIDORES DA CENA TEATRAL PIAUIENSE - FIM


             Corria o ano de 1979, ano de grandes produções do teatro piauiense, quando estava em cartaz a peça "O Chico e a Seca", de Wilson Gomes, montada pelo Grupo de Teatro Nazaré - Grutena. Wilson é um querido amigo do teatro. Como eu gostava de acompanhar alguns espetáculos anotei esse causo de bastidores.
            A peça se apresentava no Centro Social Leão XIII, na Vila Operária. No elenco, além de Wilson, faziam parte Rainha da Floresta e o violeiro Pedro Costa. Para ajudar o grupo fiquei, naquela apresentação, fazendo a bilheteria. Só que antes de ir vender os ingressos, achei por bem vestir uma camisa de mangas que estava no camarim, com largos bolsos, para botar o dinheiro. Lá para tantas, quando sai da bilheteria e estava assistindo o espetáculo, notei uma demora na cena, Rainha da Floresta, que fazia o papel de mãe e avó de um personagem não entrava em cena. E haja enrolação. Corri nos bastidores ver o que estava acontecendo. Quando a Rainha me viu entrar com a camisa, meteu a mão em um dos bolsos e tirou seu aparelho de dentes.Lavou e meteu na boca. Ela  simplesmente fazia o papel de mãe com dentes e de avó sem dentes. Achei fantástico!
             De outra feita, e essa aconteceu no grupo Raízes coordenado por mim, apresentávamos o espetáculo Chiquinha, uma peça infantil de minha autoria, com um elenco fantástico, desde Lili Martins, Adalmir Miranda, Nádia Rodrigues, Kleber Fé e outros. Tinha uma cena em que a personagem de Nádia Rodrigues ficava amarrada de mentirinha numa cerca cenográfica. Só que o ator que contracenava com ela amarrou de verdade suas mãos na cerquinha. Claro que ela não notou. Na hora da fuga, ela não conseguiu desatar o nó, ficou aquele sufoco. O ator sorria nos bastidores. Apenas eu notei a brincadeira, que não deixava de ser uma pequena maldade. Nádia, depois de forçar bastante, e não conseguir se desatar, derrubou a cerquinha cenográfica e fugiu, como fazia na cena. a criançada adorou. Depois foi desfeito o mal entendido. Coisas do teatro.
             Por último, e ai vou omitir o nome do ator, aconteceu em pleno Theatro 4 de Setembro. Apresentávamos a peça Auto do Corisco, de minha autoria, pelo Grupo Raízes. Casa com bastante gente. O ator tinha brigado com o Grupo, mas iria fazer sua última apresentação da peça. Na cena final em que atuava, terminada a cena, ele não saiu pela coxias, mas pela platéia. E foi embora com o figurino que usava. Hilário! Hoje é um querido amigo, de sempre. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

BASTIDORES DA CENA TEATRAL PIAUIENSE II


            Continuando com as cenas de bastidores do nosso teatro, presenciadas e vividas por nós, passamos a contar mais algumas dessas perólas.
            No ano de 1981, no II Congresso Brasileiro de Teatro Amador - CBTA, promovido pela Confederação Brasileira de Teatro Amador, a Confenata, realizado no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo,  fervilhavam as discussões políticas, tanto do movimento amador como da política brasileira. A delegação piauense tinha se preparado muito para este Congresso, tendo em vista que as propostas da Confenata para o movimento foram bastante discutidas. Uma das propostas do Piauí era a de dividir o país em Regionais da Confenata, para uma melhor Coordenação das ações do orgão no Brasil. A proposta era fantástica e seria apresentada pela delegação. Um dos mentores principais dessa proposta fora José da Providência, diretor e cenografo teatral, já falecido.
             No Congresso em São Paulo, as discussões varavam a noite. O Piauí, muito timido, não apresentou sua principal proposta em plenário, mas a delegação conversava muito nos bastidores. Quando menos se esperava, a delegação de São Paulo apresentou a divisão da Confenata em Regionais e foi aprovada com louvor. O Piauí não foi citado na proposta, mas seguramente era nossa. Quando nós fomos  para os bares naquela noite, pois ninguém era de ferro, um dos delegados de São Paulo se aproximou de mim e do Providência, e se vangloriou de ter criado a proposta defendida em plenário. Perguntou ao Providencia o que ele tinha achado. Providencia passou uma imensa descompostura no cidadão, dizendo que ele era um cafajeste, embusteiro, e ladrão de ideia. Acabou o papo na hora, e o cara saiu de rabo entre as pernas.
               Lá para os anos de 1985, eu era presidente da Federação Piauiense de Teatro Amador, e andava muito pelo interior do Piauí assistindo a eventos ou peças de teatro. Essa aconteceu em Monsenhor Gil, num desses eventos da cidade. Acompanhava um grupo de teatro. O pessoal do grupo bebia pra caramba, obviamente que eu acompanhava com imenso prazer. A peça a ser apresentada pelo grupo era um espetáculo infantil. Claro que vou omitir o nome das pessoas envolvidas, meus queridos amigos. Lá para as tantas, já na montagem do cenário, alguns ainda bebados, brigaram feio. No elenco tinha um ator que usava muletas, por sinal de grande talento. Ele tinha se trepado em uma escada para colocar uma empanada de fundo no cenário. Sua bengala ficou ao lado da escada. Foi ai que seu desafeto tirou as bengalas do lado da escada, e o ator ficou em cima da escada sem poder sair para lugar nenhum. Foi um deus nos acuda. O ator brincalhão fazia lorotas com o amigo na escada. Tinha escondido as bengalas. Depois de muitos pedidos, trabalhos em atraso, e ameaça de todos os lados, até eu entrei na discussão, as bengalas apareceram. E o ator pode deixar a escada e se arrumar para o espetáculo. Depois, nas conversas, o riso corria solto. Todos em paz, para o bem do teatro.