quarta-feira, 6 de março de 2024

NÃO PERDI A LUTA

       

             Minha formação em Licenciatura em Educação Artística – Artes Cênicas, na UFPI, foi uma saga. Basta dizer que fui o único aluno a terminar o curso. Ele acabou quando fui formado.  Mas o que vou contar aqui é outra história. É o bom combate de quem lutou arduamente para a criação de um curso superior de teatro no Piauí. O que nunca foi criado. Perdi a luta? Pelo contrário.

            A modalidade artes cênicas, na Universidade Federal do Piauí, acabou na primeira metade dos anos oitenta. Foi quando comecei minha luta para a criação do curso superior em teatro. Uma luta solitária. O primeiro artigo sobre o assunto saiu no Jornal O Dia. Fiquei alegre com a repercussão. Depois em seminários, fóruns, congressos, minha fala era uma só: a necessidade de um curso superior de teatro no Piauí. Continuava sozinho na causa. E triste com isso.

           Fui eleito presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões – SATED-PI, criado por mim e alguns amigos, no final dos anos oitenta. Agora com um instrumento de luta nas mãos me sentia mais fortalecido. Com o SATED-PI ganhei uma vaga no Conselho Estadual de Cultura-CEC. Mais combustível para a luta. Não perdi tempo. No Conselho de Cultura do Estado comecei a discutir sobre a triste situação da classe teatral que não tinha onde se capacitar pela falta de um curso superior. Encontrei adeptos, muita repercussão. Achavam um absurdo a UFPI ter acabado com a modalidade artes cênicas, na Licenciatura em Educação Artística, e eu completava, o pior é que na nova LDB da educação exige o ensino do teatro, da dança, das artes visuais, e da música, mas a UFPI teima em não oferecer a modalidade teatro. Pelo Sindicato criei uma oficina de teatro que denominei de Núcleo da Escola de Teatro do Piauí. Todavia eu continuava solitário na ideia da criação do curso superior. Sai do SATED e o núcleo da escola de teatro não teve continuidade. Mas eu continuei na luta.

           Na luta fui convidado para dirigir o Theatro 4 de Setembro. Que oportunidade, pensei. Vou colocar o espaço do Theatro para capacitação da classe. No Theatro 4 de Setembro existia uma oficina de teatro chamada Procópio Ferreira. Conversei com a presidente da Fundação Cultural do Piauí e expliquei sobre o Projeto do Núcleo da Escola de Teatro, ela prontamente encampou a ideia. Ainda encontrei resistência do pessoal da Oficina Procópio Ferreira, no entanto, estava implantado o Núcleo da Escola de Teatro do Piauí nas dependências do Theatro 4 de Setembro. A demanda de matriculas foi imensa. Tudo bem não era o que eu queria, mas já era o começo, e também uma vitrine para a discussão sobre o abertura de um curso superior no Piauí, fosse na universidade federal  ou na universidade estadual.

                     

          O Núcleo da Escola de Teatro deu frutos. Os próprios alunos, muitos deles atuando no  teatro, começaram a discutir a necessidade do curso superior, e ajudavam a difundir a proposta. Minha passagem como diretor do Theatro 4 de Setembro foi rápida, pela mudança de governo. Com isso teve fim o Núcleo da Escola de Teatro. No entanto, surge a cobrança de muitos artistas pela criação do curso superior na área. Eu não estava mais sozinho na luta. Tinha sido presidente do SATED-PI por três vezes e não queria mais entrar naquela luta. Todavia precisava de um instrumento para continuar a reivindicação do curso. Voltei a ser presidente do SATED-PI, e coloquei no papel toda a sistematização do que se pensava sobre um curso superior de teatro no Piauí.

         Fui ao Conselho Estadual de Cultura levando a proposta ao presidente, o Professor Manuel Paulo Nunes, pedindo que o CEC desse um parecer sobre o projeto. O parecer foi feito pelo Conselheiro, o ator Maneco Nascimento, muito bem argumentado a favor da abertura do curso superior de teatro. Governava o    Estado do Piaui no seu primeiro mandato, Welington Dias. Com o projeto esboçado e o parecer do CEC solicitamos uma audiência no Palácio de Karnac, para solicitar ao governador a abertura do curso superior de teatro na UESPI. Convidamos alguns colegas da classe teatral para a audiência e fomos bem recebidos em Karnac. O governador prontamente atendeu a reivindicação encaminhando o projeto para a reitoria da Universidade Estadual do Piauí. Tudo registrado pela assessoria de imprensa, com direito a reportagem em

jornal.

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          A euforia tomou conta de todos nós agora na luta. Rapidamente marcamos audiência com o Reitor da UESPI, Doutor Nouga Cardoso e fomos ao Palácio Pirajá em comissão de artistas. Fomos bem recebidos pelo reitor e pela a Pró-Reitoria de extensão. A proposta do curso superior foi discutida e muito bem recebida pela Reitoria. Saímos exultantes! Mas o tempo passou e nada. A UESPI não deu sinal de que encamparia a abertura de um curso superior de teatro. Balde de água fria. No entanto, nada de desistir.

         Foi quando pensamos em realizar um seminário para discutir a questão da profissionalização do artista de teatro no Piauí. O evento denominado de Seminário: Teatro e Profissionalização,  foi realizado pelo SATED na Sala Torquato Neto, do Club dos Diários, com sucesso. A palestra de fundo foi feita pelo Doutor em Artes Cênicas Professor Arão Paranaguá, com a participação de representantes de órgãos culturais do Estado e do município. O Seminário teve boa repercussão, chegando a Secretaria Estadual de Educação, onde era secretario, o professor Antonio Jose Medeiros. A luta estava viva!

           Mas eu precisava sair da direção do  SATED-PI, era uma decisão minha não prosseguir mais naquela labuta de classe. No entanto, como último ato de minha gestão realizamos o I Congresso Estadual do SATED, onde seriam discutidos vários temas e, claro, a abertura do curso superior de teatro. No último dia do evento adentra na Sala Torquato Neto, do Club dos Diários, o professor Antonio José Medeiros, Secretario Estadual de Educação e eu o chamei para a mesa. Surpresa para todos! O professor leu o decreto do governador do Estado criando a Escola Técnica Estadual de Teatro Professor José Gomes Campos. Se eu sabia? Sim, já tinha conversado com o professor, só não esperava que fosse tão rápido. Emoção e lágrimas. Tudo registrado.

           Fui nomeado diretor da Escola que ainda não existia. Implantamos a escola e a primeira turma formada em Técnico – Ator/Atriz saiu em 2008, com 36 alunos. Foi um passo gigantesco. Mas a luta por um curso superior não parou. Foi então que recebemos um recado da professora Ercilene Costa, da UESPI, que tinha tomado conhecimento de nossa proposta entregue a reitoria daquela instituição. Novas perspectivas se abriam. Arregimentamos alguns companheiros do teatro. A professora queria sistematizar o projeto para apresentar oficialmente a reitoria. Entre as pessoas presentes na discussão com a professora eu e o ator Adriano Abreu ficamos de esboçar o projeto do plano de curso, seria formação em Licenciatura em Teatro. Todavia, durante as discussões com a comissão de artistas a professora Ercilene veio a falecer. Novo abalo. Mas não deixamos de trabalhar no Projeto do Plano de Curso. Veio a ideia de partimos para a Universidade Federal do Piauí. Uma reunião com o reitor da instituição foi realizada com a presença de inúmeros artistas de teatro. A ideia foi discutida, e muito bem recebida. Novas fotos para a posteridade. A reitoria nos encaminhou para uma conversa com o Departamento de Educação Artística da instituição. Ali encontramos resistência, portas fechadas. Uma grande decepção. Desistir jamais!

         Do encontro com a professora Ercilene Costa muito material sobre formatação de curso da UESPI foi disponibilizado para nós. E assim, com toda nossa ingenuidade, porém com grande determinação, criamos um esboço do que seria um plano de curso superior em teatro. Dessa forma, criamos coragem e agora com um documento mais 

 elaborado, e com a memória da professora Ercilene, partimos novamente para a UESPI. A entrega do documento deu-se numa solenidade super concorrida com a presença de inúmeros artistas de teatro e do secretario de Estado da Cultura deputado Fábio Novo. O projeto foi protocolado. Fotos lindas e emocionantes!

           Obviamente que o projeto, apesar de ter sido criado com base em outros cursos superior de teatro de universidades brasileiras, carecia de melhor formatação dentro dos princípios que regem os cursos da UESPI e das leis que regem os cursos superiores. O importante foi que com a entrega desse documento a classe teatral passou a cobrar, de forma mais sistemática, a abertura do curso. E nós sempre erámos chamado para discorrer sobre o tema em encontros da classe. Veio então o mais forte indicio de que finalmente o curso sairia, quando fomos chamados pela UESPI para discutir o tema, agora encabeçado pela coordenadora do CCECA - Centro de Ciências da Educação, Comunicação e Artes, Valdirene Sousa. Nessa reunião foi criada uma comissão oficial da UESPI formada por professores da instituição e pessoas da comunidade. Ficou decidido também que o curso seria de teatro e dança, no formato de Licenciatura.

           A comissão instituída pela UESPI foi formada pelos professores Luciano Melo, Kácio Santos, Feliciano Bezerra, Socorro Machado e Dalva Stela, e pela comunidade Aci Campelo, dramaturgo; Moises Chaves, ator; Augusto Neto, ator  e Arão Paranaguá, doutor em artes cênicas. A coordenação da comissão foi entregue ao professor Kácio Santos. A comissão se reuniu inúmeras vezes no CCECA. O Plano de Curso foi finalizado, optando-se, em primeiro lugar, pela concretização da Licenciatura em Teatro pelo avanço nas discussões. Com o Projeto do curso superior em teatro concluído, agora sob a responsabilidade do próprio CCECA da UESPI, partiu-se para as estancias superiores. Todos os esforços da comissão foram feitos. Todavia, pasmem, o Projeto não andou, ficou parado nos labirintos da UESPI.  Portanto, o Estado do Piauí continua como um dos únicos a não oferecer um curso superior em teatro para um público de grande demanda.

         Se essa história não é uma saga, é quase uma! Perdedor, eu? Absolutamente! Enfrentei todos os combates possíveis! E fiz o bom combate. Continuo na luta. O Piauí precisa!

        

 

 

         

           

            

            

                                                          

sábado, 9 de dezembro de 2023

TEMPO DE CONTAR 6

            A bebida da moda entre a turma era o uisque Royal Label, uma cachaça melhorada da época, forte para caralho! Um litro já bastava para três quatro de nós. Naquele meio dos anos de 1970, todos beirando os 16 ou 18 anos não existia porteira. A liberdade era total, ou se não era a gente fazia ser. 

            As saídas eram dias de sábados. O meio de semana era estudo e trabalho com afinco, trabalho para aqueles que trabalhavam. As saídas eram planejadas e marcadas com antecedência. Isso para não ter surpresa, e também para garantir o uisque e os acessórios, que geralmente eram Latas de Kitut, Salsichas enlatadas e Azeitonas. Nunca entendi ´porque não havia queijo, enfim. 

             Nada de namoradinhas naquelas saídas. Para aqueles que tinham uma, o jeito era dispensar naquela noite. As vezes não era fácil explicar! Porque não podiam sair com a turma? O que havia de tão importante nesses encontros? Simplesmente nada, só bebidas e papo de homem. Opa, melhor dizendo papo de jovens! Mas também não era bem assim! Nas saídas podia acontecer de tudo, e a busca era infernal para que acontecesse. Então, a companhia das garotas não era uma boa.

              Era muito simples. Um de nós levava as bebidas e os tira-gostos e outro levava o gravador e fitas cassete, tudo em mochilas. As vezes traçavamos os percursos outras vezes não, deixava-se ir. Parava em algum lugar e tome uisque com tira-gosto. Uma festa.

                Como todos morávamos na zona norte o percurso era a zona sul. O encontro era no bar do mil reis, Coelho de Resende com Amazonas, jogávamos um pouco de sinuca bebendo Montila com Coca-Cola e depois o mundo da noite. Coelho de Resende, Frei Serafim, Praça Pedro II, Primeiro de Maio, José dos Santos e Silva, Barão de Gurguéia e por ai vai. A noite era nossa. e só terminava com os raios do sol. O que fazíamos na noite? É outra história.   

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

MEU AVÔ ERA INCRIVEL!

 

               Duas palavras que meu avô adorava eram incrível e fantástico. Gostava de escutar ele dizendo, isso é incrível! Isso é fantástico! Ah, meu nome é Lia, e eu adorava meu avô. Eu não sabia muito bem o que significavam aquelas duas palavras. Fantástico eu imaginava que podia vir de Fanta, um refrigerante muito popular quando eu era criança. Existia Fanta uva e Fanta laranja.  Eu gostava muito de Fanta uva. A outra palavra incrível eu achava que devia ser uma coisa que não existia. É, porque eu, como criança,  nunca tinha visto  uma coisa incrível.

                Mas falando em refrigerante meu avô detestava qualquer um. Coca Cola então nem se fala. Lia, não beba isso minha netinha! Faz mal! Eu via todos meus colegas tomando e não passavam mal nenhum. Meu avô devia ser cismado com alguém que inventou a Coca Cola Ele contava uma história de uma mulher e seu filho pequeno. Viajavam em um trem. O menino começou a chorar pedindo comida para a mãe. meu avô ficou perturbado com aquele chororo.

             - Mamãe, 'tou com fome! Esbravejava o menino.

               Meu avô não aguentou mais. 

            - Minha senhora peça uma coisa aí pra esse menino! Um Sanduixi, um pão com queijo! Eu pago.

               O menino calou a boca, olhou para meu avô e para sua mãe.

            - Tu quer o que, Zezinho?  Perguntou a mãe.

               A criança tornou a olhar para os dois, e sapecou.

            - Eu quero pão com Coca Cola!

               Meu avô respondeu na mesma altura.

            - Pão sim. Coca Cola não!

              O menino se calou, e sua mãe não disse nada. 

             Meu avô dizia que a Coca Cola era o mal criado pelo imperialismo americano para dominar o mundo. Para mim aquelas coisas que ele dizia contra o refrigerante não faziam sentido. Só fui entender sua raiva muito tempo depois.

                Como eu adorava meu avô!

 

              

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

A FAZENDA

 

               A fazenda não era propriamente uma fazenda do nosso imaginário. Mas era uma fazenda. Pelo menos era denominada dessa forma. Só não tinha nome, no entanto, todos conheciam como a fazenda. O local era tranquilo, e se não fosse a presença de algumas vacas e bois, alguns cavalos e éguas, alguns jumentos e jumentas, a tranquilidade seria eterna.

               Aqui e acolá a rotina era quebrada com os cavalos desembestados correndo inguém.

no cercado atrás das éguas, levando tudo em turbilhão. Os cavalos  tinham a mania de querer morder as éguas no pescoço, mas isso devia ser uma forma de amor dos animais porque logo depois eles cobriam a companheira, que aceitavam tudo calmamente. Quanto a jumentada nem se falava muito em relação a isso, por que os jumentos cobriam as jumentas no silencio. Não vamos falar do resto dos animais, como cabras e bodes, ovelhas, galinhas e galos. A única coisa estranha em relação aos galos é que alguns cantavam fora do horário.

                A fazenda, portanto, era tranquila. Mas por que tanta nostalgia e banzo sentiam as pessoas que por lá moravam? Era uma certa solidão diária que impedia de serem felizes completamente. Muitos deles andavam moribundos pelos ambientes. Não era falta do que fazer, nem falta de como se divertir, nem falta de saborear  comidas  das mais diversas. Tudo estava ao alcance dos moradores da fazenda. O silencio e a solidão em que viviam seus moradores não tinha explicação. Empregados dos mais intimos aos mais distantes já tinham se acostumados com o silencio e a fala calma e mansa de seus patrões. Para eles era uma coisa incompreensivel. Todavia, alguns se dava por satisfeitos e felizes, pois seus patrões não levantavam a voz para ninguém.

              A fazenda está lá. A alegria passa longe daquele local. Mas os animais fazem a festa. Talvez seja por isso mesmo que ela ainda esteja lá, bela e imponente.

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

SOBRE O TEMA DE UM TEXTO

 

              Raramente um ator ou atriz de um espetáculo responde de pronto a uma pergunta sobre qual o tema de seu espetáculo. Muitas vezes confunde-se o tema com o enredo ou o argumento. Outras vezes, conta sobre o espetáculo de forma geral e, se for um drama ou uma tragédia, já vai logo dizendo que o espetáculo é sério mas também tem comédia pelo meio. É uma forma de agradar ao público viciado em comédia.

             O tema de um texto teatral muitas vezes está explicito e outras vezes nem tanto, sendo necessário mesmo uma discussão sobre. Qual o tema de Medeia, tragédia do tragediografo grego Eurípedes?  Simples vingança de uma mulher traída? Discussões e discussões tem-se feito sobre esse texto que é um dos mais perfeitos  da dramaturgia. 

            Descobri o tema do texto dramático é um dos primeiros exercicios numa montagem, isso gera segurança na discussão e no aprofundamento do enredo. É bastante interessante descobrir as intenções que não está ás claras sobre os personagens, seu comportamento, seus gestos, suas ações. As intenções implicitas de um texto podem gerar formas de compreensão e ajudará firmemente o ator na composição de seu personagem.

           Lembro de uma discussão sobre o tema de O Pagador de Promessas, do autor brasileiro Dias Gomes. Muito se falou sobre os percursos de Zé d Burro, sua fé, seu caráter, seu amor pela mulher. Mas o tema de fundo do texto é um só - intolerância religiosa. Zé do Burro não pode entrar com su   a cruz na igreja. 

          Obviamente que um texto pode suscintar mais de um tema, no entanto, com certeza um será o predominante. Mas essa é outra história.

terça-feira, 8 de agosto de 2023

ARTICULA PI -FINAL

       

           Em relação ao Sistema de Incentivo Estadual á Cultura – SIEC, propomos:

               - Que o Sistema de Incentivo Estadual a Cultura – SIEC, seja aberto de fevereiro a novembro de cada ano;

               - Que os projetos sejam liberados por critérios técnicos, e não por rateio do dinheiro entre os contemplados, e que os proponentes dos projetos tenham livre acesso aos pareceres, quando requisitados;

            - Que o Conselho Deliberativo do SIEC seja extinto, passando as suas atribuições do SIEC ao Conselho Estadual de Politica Cultural;

            - Que seja retirada da Lei do SIEC a porcentagem para projetos de interesse do governo do estado, por entendimento de que o Estado deve investir em projetos culturais de seu interesse.

              Tendo em vista o estabelecimento de critérios democráticos para a escolha dos membros do Conselho Estadual de Cultura – CEC, propomos;

           - Que o Conselho Estadual de Cultura – CEC, seja paritário, deliberativo, consultivo e fiscalizador, de conformidade o que preconiza o Sistema Nacional de Cultura – SNC, transformando-se em Conselho Estadual de Política Cultural – CEPC;

           - Que os conselheiros da sociedade civil do CEPC sejam eleitos pelos seus respectivos fóruns setoriais de cultura representativo de cada categoria artística;

           - Que o Conselho Estadual de Politica Cultura – CEPC, tenha verba de manutenção, retirando-se a obrigatoriedade do pagamento de jetons para conselheiros.

              Tendo em vista o aprimoramento dos mecanismos de participação social no processo de elaboração, implementação, acompanhamento e avaliação das políticas públicas de cultura, propomos:

          - Que o Estado do Piauí elabore o seu Plano Estadual de Cultura, com validade de 10 anos, dentro das diretrizes do Sistema Nacional de Cultura – SNC, com a realização de conferências municipais e conferência estadual de cultura, de forma a contemplar princípios, objetivos, diretrizes, metas e ações a serem implementadas pelo Estado do Piauí;

          - Que seja implementada reestruturação da Secretaria de Estado da Cultura do Piauí, com realização de concurso púbico, e a revisão organizacional do órgão, com a revisão da legislação cultural vigente, em especial, ao tocante, ao patrimônio cultural e aos mecanismos de financiamento e fomento.

            O ARTICULA-PI. ao se dirigir a Artistas, Técnicos, Criadores, Produtores Culturais e a todas e todos da sociedade com esta Carta Aberta, pretende convocar para o debate  artístico-cultural do estado, de forma livre e democrática.

 

             ARTICULA-PI                

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

ARTICULA PI 1

                    Vamos publicar aqui a primeira parte de uma carta aberta do movimento Articula- Pi, Frente da sociedade civil para as políticas publicas do Piauí, publicada e lida para o público no Seminário de Políticas Públicas, realizado pela Frente, na Universidade Estadual do Piauí, com uma palestra de Célio Turino, ex-Ministro Interino da Cultura. 

                                   AOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DA CULTURA 

           Nós do ARTICULA-PI, frente de luta da sociedade civil para as políticas públicas de cultura, encaminhamos esta Carta Aberta para conhecimento e discussão de Artistas, Técnicos, Criadores e Produtores Culturais do Estado do Piauí, assim como a todos e todas aqueles que  de forma geral possam se engajar nesse processo.

            O Brasil atravessa um novo momento político  em que a democracia retoma o protagonismo social possibilitando avanços em  todas as áreas, sobremaneira, a área cultural massacrada nos últimos quatro anos do governo federal. Nesse sentido, externamos  total confiança no governo que ora se inicia, tanto  na esfera federal como na esfera estadual, possibilitando extensivos debates da classe cultural.

           Os debates do ARTICULA-PI foram frutos de preocupação com o desenvolvimento cultural do Estado e foram travados de forma democrática entre os seus membros, com representação de diversas áreas da arte e da cultura, e da sociedade civil. Dessa forma, o objetivo do movimento ARTICULA-PI foi o de rever e aprofundar as propostas do programa de governo do então candidato Rafael Fonteles, hoje governador do Estado do Piauí.

          Portanto, vamos  transcrever aqui para o conhecimento de todas e todos, artistas, técnicos, criadores e produtores culturais do estado, o que está colocado no programa de governo do Piauí  na área cultural, que é:

         - Estabelecer critérios efetivamente democráticos para a escolha dos membros do Conselho Estadual de Cultura – CEC, garantindo paridade entre poder público e a sociedade civil;

        - Aprimorar os mecanismos de participação social no processo de elaboração, implementação, acompanhamento e avaliação das políticas públicas de cultura;

        - Aprimorar o Sistema de Incentivo Estadual a Cultura – SIEC.

          Portanto, o ARTICULA-PI, depois de exaustivas reuniões e debates, consensuou as seguintes propostas para aprofundar e aprimorar a área cultural do Estado, objetivando o seu pleno desenvolvimento: