segunda-feira, 18 de setembro de 2023

SOBRE O TEMA DE UM TEXTO

 

              Raramente um ator ou atriz de um espetáculo responde de pronto a uma pergunta sobre qual o tema de seu espetáculo. Muitas vezes confunde-se o tema com o enredo ou o argumento. Outras vezes, conta sobre o espetáculo de forma geral e, se for um drama ou uma tragédia, já vai logo dizendo que o espetáculo é sério mas também tem comédia pelo meio. É uma forma de agradar ao público viciado em comédia.

             O tema de um texto teatral muitas vezes está explicito e outras vezes nem tanto, sendo necessário mesmo uma discussão sobre. Qual o tema de Medeia, tragédia do tragediografo grego Eurípedes?  Simples vingança de uma mulher traída? Discussões e discussões tem-se feito sobre esse texto que é um dos mais perfeitos  da dramaturgia. 

            Descobri o tema do texto dramático é um dos primeiros exercicios numa montagem, isso gera segurança na discussão e no aprofundamento do enredo. É bastante interessante descobrir as intenções que não está ás claras sobre os personagens, seu comportamento, seus gestos, suas ações. As intenções implicitas de um texto podem gerar formas de compreensão e ajudará firmemente o ator na composição de seu personagem.

           Lembro de uma discussão sobre o tema de O Pagador de Promessas, do autor brasileiro Dias Gomes. Muito se falou sobre os percursos de Zé d Burro, sua fé, seu caráter, seu amor pela mulher. Mas o tema de fundo do texto é um só - intolerância religiosa. Zé do Burro não pode entrar com su   a cruz na igreja. 

          Obviamente que um texto pode suscintar mais de um tema, no entanto, com certeza um será o predominante. Mas essa é outra história.

terça-feira, 8 de agosto de 2023

ARTICULA PI -FINAL

       

           Em relação ao Sistema de Incentivo Estadual á Cultura – SIEC, propomos:

               - Que o Sistema de Incentivo Estadual a Cultura – SIEC, seja aberto de fevereiro a novembro de cada ano;

               - Que os projetos sejam liberados por critérios técnicos, e não por rateio do dinheiro entre os contemplados, e que os proponentes dos projetos tenham livre acesso aos pareceres, quando requisitados;

            - Que o Conselho Deliberativo do SIEC seja extinto, passando as suas atribuições do SIEC ao Conselho Estadual de Politica Cultural;

            - Que seja retirada da Lei do SIEC a porcentagem para projetos de interesse do governo do estado, por entendimento de que o Estado deve investir em projetos culturais de seu interesse.

              Tendo em vista o estabelecimento de critérios democráticos para a escolha dos membros do Conselho Estadual de Cultura – CEC, propomos;

           - Que o Conselho Estadual de Cultura – CEC, seja paritário, deliberativo, consultivo e fiscalizador, de conformidade o que preconiza o Sistema Nacional de Cultura – SNC, transformando-se em Conselho Estadual de Política Cultural – CEPC;

           - Que os conselheiros da sociedade civil do CEPC sejam eleitos pelos seus respectivos fóruns setoriais de cultura representativo de cada categoria artística;

           - Que o Conselho Estadual de Politica Cultura – CEPC, tenha verba de manutenção, retirando-se a obrigatoriedade do pagamento de jetons para conselheiros.

              Tendo em vista o aprimoramento dos mecanismos de participação social no processo de elaboração, implementação, acompanhamento e avaliação das políticas públicas de cultura, propomos:

          - Que o Estado do Piauí elabore o seu Plano Estadual de Cultura, com validade de 10 anos, dentro das diretrizes do Sistema Nacional de Cultura – SNC, com a realização de conferências municipais e conferência estadual de cultura, de forma a contemplar princípios, objetivos, diretrizes, metas e ações a serem implementadas pelo Estado do Piauí;

          - Que seja implementada reestruturação da Secretaria de Estado da Cultura do Piauí, com realização de concurso púbico, e a revisão organizacional do órgão, com a revisão da legislação cultural vigente, em especial, ao tocante, ao patrimônio cultural e aos mecanismos de financiamento e fomento.

            O ARTICULA-PI. ao se dirigir a Artistas, Técnicos, Criadores, Produtores Culturais e a todas e todos da sociedade com esta Carta Aberta, pretende convocar para o debate  artístico-cultural do estado, de forma livre e democrática.

 

             ARTICULA-PI                

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

ARTICULA PI 1

                    Vamos publicar aqui a primeira parte de uma carta aberta do movimento Articula- Pi, Frente da sociedade civil para as políticas publicas do Piauí, publicada e lida para o público no Seminário de Políticas Públicas, realizado pela Frente, na Universidade Estadual do Piauí, com uma palestra de Célio Turino, ex-Ministro Interino da Cultura. 

                                   AOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DA CULTURA 

           Nós do ARTICULA-PI, frente de luta da sociedade civil para as políticas públicas de cultura, encaminhamos esta Carta Aberta para conhecimento e discussão de Artistas, Técnicos, Criadores e Produtores Culturais do Estado do Piauí, assim como a todos e todas aqueles que  de forma geral possam se engajar nesse processo.

            O Brasil atravessa um novo momento político  em que a democracia retoma o protagonismo social possibilitando avanços em  todas as áreas, sobremaneira, a área cultural massacrada nos últimos quatro anos do governo federal. Nesse sentido, externamos  total confiança no governo que ora se inicia, tanto  na esfera federal como na esfera estadual, possibilitando extensivos debates da classe cultural.

           Os debates do ARTICULA-PI foram frutos de preocupação com o desenvolvimento cultural do Estado e foram travados de forma democrática entre os seus membros, com representação de diversas áreas da arte e da cultura, e da sociedade civil. Dessa forma, o objetivo do movimento ARTICULA-PI foi o de rever e aprofundar as propostas do programa de governo do então candidato Rafael Fonteles, hoje governador do Estado do Piauí.

          Portanto, vamos  transcrever aqui para o conhecimento de todas e todos, artistas, técnicos, criadores e produtores culturais do estado, o que está colocado no programa de governo do Piauí  na área cultural, que é:

         - Estabelecer critérios efetivamente democráticos para a escolha dos membros do Conselho Estadual de Cultura – CEC, garantindo paridade entre poder público e a sociedade civil;

        - Aprimorar os mecanismos de participação social no processo de elaboração, implementação, acompanhamento e avaliação das políticas públicas de cultura;

        - Aprimorar o Sistema de Incentivo Estadual a Cultura – SIEC.

          Portanto, o ARTICULA-PI, depois de exaustivas reuniões e debates, consensuou as seguintes propostas para aprofundar e aprimorar a área cultural do Estado, objetivando o seu pleno desenvolvimento:


sexta-feira, 14 de julho de 2023

A PRIMEIRA VEZ NO RIO DE JANEIRO

               Corria o ano de 1981 e eu fui contactado pelo Serviço Nacional de Teatro - SNT e pela Fundação Nacional de arte- FUNARTE, para fazer assistir um seminário chamado Teatro e Comunidade que iria acontecer na cidade do Rio de Janeiro. Entre surpreso e eufórico fiquei meio receoso em me mandar para o Rio de Janeiro sozinho. Ainda mais que seria a primeira vez que viajaria para aquela cidade. Seria tudo pago, hospedagem, alimentação e passagens. Passagens aéreas. Então, imagine! A primeira vez no Rio de Janeiro, e de avião! Coisa que eu nunca tinha andado também.

              Depois de pensar os prós e os contras confirmei que iria. E Fui. Peguei a Vasp e partir. Cheguei ao Rio de Janeiro já esperavam no aeroporto o pessoal de apoio da Funarte.  Participariam do evento vários artistas do Brasil. Na época eu era da diretora da Federação de Teatro Amador do Piauí, e minha escolha pelo Serviço Nacional de Teatro talvez fosse pelo trabalho que fazia no Grupo de Teatro Raízes, do qual eu era coordenador, e com  alguns trabalhos patrocinados pelo SNT.

              Instalado no hotel Ambassador, na Cinelandia, ficava perto de tudo. Teatro Municipal do Rio, Teatro Rival, o Bar Amarelinho, onde muitos artistas do Rio se encontravam, quer dizer, pra mim uma farra.

               O Seminário - Teatro e Comunidade foi de uma impotância muito grande para mim, foi lá que conheci pessoas como Ana Mae Barbosa, Luiza Barreto Leite, e tantas outras que fizeram conferencias.

               Um fato interessante aconteceu no Amarelinho, na primeira noite do Semnário . Um funcionário do SNT chegou pra mim e erguntou se eu conhecia o ator e cantor Octavio Cesar, que era do Piauí. Confesso que ainda não tinha ouvido falar em Octávio Cesar.  Mas disse prontamente que o conhecia e, ainda, que era seu amigo. Octávio Cesar estava com um espetáculo em um teatro. Fiquei popular com o funcionário.

               Esse fato contei para Octavio Cesar anos depois, quando ele foi foi homenageado pela TV assembleia com o Troféu Pauta Cultural. Nunca contado antes.  

               

quinta-feira, 22 de junho de 2023

MAIS UMA VEZ SOBRE A TRAGÉDIA

                  A tragédia aqui discutida é sobre o prisma da dramaturgia, melhor dizendo, da tragédia grega. O que preconiza, e ai mais ou menos, o filosofo Aristóteles no seu livro Poética. 

               Quando falamos que uma morte de transito, um acidente de morte não se configura como uma tragédia, é que a tragédia é construída em um espaço de tempo, e a premissa é conhecida por todos. Como exemplo, podemos citar a tragédia Édipo Rei, de Sofocles. O oráculo diz que Édipo vai matar o pai e casar com a mãe. Esse destino do herói é imutável, o que vamos conhecer no percurso do herói é como se darão esses fatos. Ai se instala a tragédia.

                 Dessa forma, fica caracterizado que a tragédia é uma construção do destino. Alguém cheio de saúde que, de repente, descobri um câncer seria uma tragédia? No aspecto da descrição, sim. O câncer poderia ser de familia, portanto, quase imutável, sem jeito. Depois essa pessoa não morreria de uma hora para outra. seu sofrimento para se tratar, sem corpo, outrora cheio de saindo, se desvanecendo com o tempo, e a doença incurável, se configuraria como uma tragédia.

                É interessante que a tragédia moderna se dar de várias formas. Temas na modernidade é o que não falta. E, muitas vezes, a realidade é tão mais cruel do que a ficção. Quantas coisas trágicas abarrotam o mundo? São milhares de imigrantes morrendo em alto mar dentro de barcos abarrotados, tragédia anunciadas. Pois ninguém vai acreditar que todo aquele contigente de pessoas vai escapar do ma em fúria. O que se espera é de como as mortes vão acontecer e,pior, sem ninguém fazer nada.

               Jesus na sua infinita bondade não quis escapar da cruz, mas poderia não ter acerto o destino traçado pelo pai. Portanto, podemos falar não em tragédia da paixão de cristo, mas no drama e no sofrimento de Jesus. 

       

segunda-feira, 22 de maio de 2023

SOBRE A TRAGÉDIA

                 É muito difícil hoje você falar em tragédia na dramaturgia usando como parâmetro a tragédia grega. A realidade hoje em dia é muito mais cruel. Vamos pensar apenas em um dos  textos seminais da dramaturgia trágica grega - Medeia, de Eurípedes. Quanta semelhança com os dias atuais! Mães e pais matando os filhos, ou mesmo os dois juntos.

                Portanto, realmente não é fácil. Na concepção clássica da tragédia, diz-se que o herói não consegue ultrapassar os obstáculo que se apresentam para ele e que seu destino está traçado não existe volta, ou seja, o obstáculo é intransponível. E tem mais, o herói quase sempre morre, ou perde todas as suas forças pra lutar. Eu, por exemplo, tinha raiva quando o meu mocinho do cinema morria no final do filme. Ah, não tinha graça nenhuma!

                No entanto, mesmo o herói morrendo ou vencido em sua luta, sua luta continua a ser perpetuada por todos. Sendo assim o herói pode até morrer mas seu exemplo continua para aqueles que acreditam na sua luta. A morte do herói assim não é em vão, por mais trágica que seja.

               Diz-se na tragédia grega que o destino do herói é traçado pelos deuses. Portanto, ele não tem dominio sobre seu destino.Ele é imutável.  E isso é dito ali, no seu nascimento. Vejamos o exemplo da tragédia Édipo Rei, em que Édipo tem seu destino traçado pelo oráculo. Édipo vai matar o pai e casar com a mãe. Tudo acontece como foi dito.

                 Interessante é que nesse sentido levantamos sempre um debate em sala de aula. A morte de Jesus Cristo na cruz é uma tragédia? A gente sempre escuta na encenação da paixão de cristo o refrão - venha assistir  a Tragédia da Paixão de Cristo. Ora, Cristo sabia de seu destino e podia transformá-lo se quisesse. Portanto, seu destino não era imutavel. Ficaria mais apropriado, então, chamar de Drama da Paixão de Cristo. Como é realmente denominado na história do teatro.

                 Outra coisa. Nem tudo que se denomina de tragédia é. Uma morte no transito, uma casa que cai, um assassinato, isso não é tragédia. É acidente. 

                   Voltaremos!

                 

segunda-feira, 1 de maio de 2023

SOBRE DRAMATURGIA

               Sempre lecionei teatro, me formei pra isso. Licenciatura Plena em Educação Artistica - Artes Cênicas, na Universidade Federal do Piauí. Isso quando tinha artes cênicas. Depois comecei a escrever, produzir e dirigir espetáculo de teatro. 

            Na Escola de Técnica de Teatro Gomes Campos fui professor de algumas disciplinas, entre elas, Literatura Dramática. Gostava muito de falar sobre os fundamentos do teatro na Grécia e no mundo, principalmente na Grécia berço do teatro ocidental. Era bacana falar dos tragediografos gregos, principalmente Eurípedes. 

                Sobre o Drama, por exemplo, as aulas eram bastante participativas. O que é o drama? Drama é ação, conflito. Sem isso nada evolui. Geralmente eu exemplificava para os alunos com um papo de namorados. 

                O namorado - Tudo bem?

                A namorada - Tudo bem!

                O namorado - Ah, certo.

                A namorada - E você como está?

                O namorado - Eu estou bem, bem.

            Quer dizer o diálogo não evoluiu, pois se tudo está bem, continuará tudo bem, é obvio! Na dramaturgia não funciona assim. Pois sem ação não há conflito.

                 Mas vamos dizer que o namorado pergunte:

                 O namorado - Tudo bem?

                 A namorada - Não, está tudo mal! Com raiva logo.

                 O namorado  - O que aconteceu?! pergunta ele aflito.

                  Pronto. Está estabelecida a ação e, consequentemente, o conflito! A partir daí tudo flui e se resolve, ou não,. mas o importante é que se chega a algum lugar.

                 A dramaturgia me fascina!