segunda-feira, 1 de maio de 2023

SOBRE DRAMATURGIA

               Sempre lecionei teatro, me formei pra isso. Licenciatura Plena em Educação Artistica - Artes Cênicas, na Universidade Federal do Piauí. Isso quando tinha artes cênicas. Depois comecei a escrever, produzir e dirigir espetáculo de teatro. 

            Na Escola de Técnica de Teatro Gomes Campos fui professor de algumas disciplinas, entre elas, Literatura Dramática. Gostava muito de falar sobre os fundamentos do teatro na Grécia e no mundo, principalmente na Grécia berço do teatro ocidental. Era bacana falar dos tragediografos gregos, principalmente Eurípedes. 

                Sobre o Drama, por exemplo, as aulas eram bastante participativas. O que é o drama? Drama é ação, conflito. Sem isso nada evolui. Geralmente eu exemplificava para os alunos com um papo de namorados. 

                O namorado - Tudo bem?

                A namorada - Tudo bem!

                O namorado - Ah, certo.

                A namorada - E você como está?

                O namorado - Eu estou bem, bem.

            Quer dizer o diálogo não evoluiu, pois se tudo está bem, continuará tudo bem, é obvio! Na dramaturgia não funciona assim. Pois sem ação não há conflito.

                 Mas vamos dizer que o namorado pergunte:

                 O namorado - Tudo bem?

                 A namorada - Não, está tudo mal! Com raiva logo.

                 O namorado  - O que aconteceu?! pergunta ele aflito.

                  Pronto. Está estabelecida a ação e, consequentemente, o conflito! A partir daí tudo flui e se resolve, ou não,. mas o importante é que se chega a algum lugar.

                 A dramaturgia me fascina!

        

            

terça-feira, 4 de abril de 2023

REVIVER CARNAVAL IV

                   No Seminário Rumos e Identidade do Carnaval de Teresina - REVIVER CARNAVAL,, realizado em 1997 pela Fundação Cultural Mons. Chaves/PMT, uma das falas importantes foi do carnavalesco Manoel Messias, presidente da Escola de Samba, discutindo o tema Escola de Samba.

                  O SENHOR MANOEL MESSIAS - Respondendo a primeira pergunta o que se deve fazer de mais urgente para a retomada do carnaval de Teresina, eu gostaria de deixar bem claro que seria a convocação dessas escolas de samba - as que já existem para que elas façam um levantamento do que possuem, porque quase dez anos . Eu toecarnaval, tem muita escola de samba que não tem mais nem instrumento, não é o caso do Sambão, não! O Sambão está lá com todos seus instrumentos guardados, mas eu sei que existe escola de samba que não tem mais esses instrumentos. Então, seria um levantamento para se saber quais são as necessidades  mais pendentes para que essas escolas pudessem se organizar agora, convocando os seus componentes. Porque eu disse e digo de novo, não se faz um batuqueiro do dia para a noite. Infelizmente houve a dispersão, nós temos que começar tudo de novo! Então, seria primeiramente um contato , essa comissão que vai ser formada deve convocar essas escolas de samba, logicamente que elas vão comparecer, elas vão ser convocadas para mostrar oque elas tem, de que é que necessitam para que possam retoma o carnaval.

                  Vamos a outra questão, o que foi que foi feito esse tempo todo que não houve carnaval. Há escola de samba aqui em Teresina que nunca deixou de fazer atividade. Eu tomei conhecimento que a Unidos da Saudade sempre fez essas discussões, está sempre promovendo bingos a fim de angariar dinheiro e tem material comprado. Tem também um trabalho muito bem feito pelo carnavalesco Jamil que nos convocou, diretores de escola de samba, e que fez um projeto para a retomada  do carnaval, inclusive nós participamos de várias reuniões. Ele tem um projeto belissimo! Nós que fazemos carnaval nunca ficamos de braços cruzados, e estamos contribuindo com os carnavais das cidades próximas. Nós fizemos três sambas enredo para a escola de samba de Barras, três vezes campeãos! Então, nossos componentes eram levados para lá. Eu nunca fui mas compus os sambas com outros carnavalescos. Nós nunca deixamos de atuar no carnaval. Agora em termos de angariar recursos só conheço as promoções de bingos, rifas assim só isso!

quarta-feira, 22 de março de 2023

REVIVER CARNAVAL PARTE III

                                                   A FALA DO SENHOR MARCOS PEIXOTO.


              - Eu gostaria primeiro de lhe falar que a Micarina é o evento mais democrático que existe em Teresina. Cinco mil pessoas pagam para que duzentos mil brinquem. Cinco mil pessoas, lógico que essas pessoas por pagarem, elas tem uma aproximação maior com o trio eletrico, tem o carro de apoio e o cordão de isolamento. No entanto, todo o resto, que e chamado de pipoca, vai fora da corda, brinca do mesmo jeito, acompanha os blocos , e a micarina sempre teve a preocupação de após os desfiles dos blocos colocar uma banda local com o trio eletrico para puxar o que nós chamamos de pipoca.

             Com relação ao compromisso cultural, eu concordo com você, realmente não está existindo, mas isso não é só aqui, está acontecendo em quase todos os locais do pais. Em alguns locais, de uma maneira mais forte , como em Recife, não pelo decreto do prefeito, que não poderia tocar música baiana, e sim porque as pessoas que fazem a cultura do Recife lutaram muito e estão utilizando a tecnologia do trio eletrico, mas estão tocando o ritmo pernambucano. E o bloco da micarina fez isso muito bem, trouxe o Mastruz Com Leite, que é o forró a música da nossa região, o Bloco Amor Que Fica trouxe essa banda. Nós que realizamos a Micarina, resolvemos investir mais cumprindo isso que você cobrou da gente. Nós vamos realizar este ano O Jegue Eletrico, o Arráia da Capitá, até atendendo a uma solicitação do prefeito Firmino Filho, cobrando da gente, já que Teresina precisa de eventos para que a gente possa incentivar mais o turismo.

            Então, neste ano nós já estamos trabalhando em cima do projeto, nós vamos ter o Arraiá da Capitá e o Jegue Eletrico. Vamos colocar forró no trio eletrico e amplificar o som do forró para todo mundo. E você me pergunta, qual o modelo do carnaval de Teresina? E eu te digo que não sei. estou junto com todos vocês para que a gente possa buscar. Mas acredito que temos que encontrar o nosso modelo próprio que não seja a imitação o baiano e nem seja a imitação do carioca, com certeza, eu acho que nós temos que buscar isso.

sexta-feira, 3 de março de 2023

REVIVER CRNAVAL - PARTE II

             Uma outra colocação que eu faço para o Marcos é a seguinte: a Micarina, carnaval fora de época, e eu não sou contra a Micarina, muito pelo contrário, as colocações feitas por ele foram perfeitas, pois trás divisas , turismo. Agora eu acho que a Micarina, ela acaba com a identidade cultural local, ela extermina a identidade cultural local por que ela se reduz ao axé music. Você não ve uma banda local, se há, passa despercebida, enquanto que toda identidade cultural é baiana e toda ela é trabalhada em cima do mesmo ritmo carnavalesco baiano. Acho que a Micarina teria que reverter um pouco essa identidade para que a gente pudesse também procurar a identidade cultural do Piauí, nesse sentido ai, porque senão se tornar até uma coisa imperialista. 

             A partir dessa mudança de comportamento do carnaval, ter um padrão que diz respeito ao nosso local, a nossa especificidade, aliás a Micarina é discriminatória, porque é a partir da compra de abadá que o sujeito vai dançar! É discriminatória nesse sentido. Não existe nenhum sentido o Bloco do Itararé ir para a Micarina, por que ele pertence a sua identidade cultural. Eu diria o seguinte: quem compra um abadá tem segurança , quem não compra leva porrada. Eu já vi isso, fui para a Micarina e sei disso, quer dizer, se você fica fora do ciclo da Micarina, você é um esquecido. Você não esta lá brincando, está vendo quem está brincando. Pois nesse sentido quem produz a Micarina teria muito que contribuir com esse reviver carnaval do carnaval de Teresina.

            A minha pergunta dirigida ao Marcos seria a seguinte, na sua visão, que é um produtor de markentig, qual o modelo do carnaval de Teresina a seguir? O que está faltando para que o carnaval de Teresina reviva, qual a identidade desse carnaval? Será que nós vamos seguir o modelo carioca, o modelo baiano que é que nos estão empurrando mais ou menos.

           A pergunta ao Galba é a seguinte: Você produziu divinamente a Banda Bandida, que ria saber se você teve medo de transformar a Banda Bandida numa escola de samba? E qual foi a causa que deu uma parada na Banda, porque eu não acredito que tenha sido só uma questão de segurança. Eram essas as duas colocações que eu queria fazer para os dois.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

REVIVER CARNAVAL - PARTE I

            No ano de 1997, a Prefeitura Municipal de Teresina, através da Fundação Cultural Monsenhor Chaves, promoveu o Seminário - Rumos e Identidade do Carnaval de Teresina, cujo documento se chamou Reviver Carnaval. A presidente da FCMC era a professora Cecilia Mendes, eu era o Diretor do Departamento de Arte e Afonso Lima o superintendente do orgão. O Seminário foi realizado no dia 04 de fevereiro daquele ano na Casa da Cultura de Teresina, com a seguinte programação: Palestra - Em Busca de Identidade: Carnaval em Teresina-Professor Bernardo Pereira da Silva, Departamento de História da UFPI; Painel I - Carnaval Institucional: Escola de Samba. Expositores - Manoel Messias e Oswaldo Almeida. Debatedor - José Gomes. Painel II - Carnaval de Rua: Bandas, Blocos e Trios Elétricos. Expositores - Marcos Peixoto, Galba Coelho Carmo. Debatedor - Ací Campelo. Moderador - Paulo Castelo Branco Vasconcelos.

            O Seminário Tinha como objetivo reativar o carnaval de escolas de samba  de Teresina, desativado há há anos. Uma proposta do então prefeito da capital Firmino Filho. Vamos transcrever aqui minha fala no painel II.

             O senhor Paulo Vasconcelos, mediador: Passaremos a palavra ao debatedor, que vai preferir fazer os seus questionamento em bloco. . Ele terá, portanto, dez minutos e, na sequencia, cada um dos expositores terá três minutos para resposta.

               O senhor Aci Campelo, debatedor. Em primeiro lugar parabenizo a exposição dos dois expositores e vou me colocar como uma pessoa que observa o carnaval de uma forma mais cultural. Não participo de nenhuma escola de samba, portanto, vou ver como uma pessoa de fora, como um e cultural do carnaval de Teresina. Aqui nós ouvimos mais ou menos os rumos do carnaval, como ele poder retornar, algumas opiniões foram dadas, alguns questionamentos, mas nós temos um outro ponto aqui que eu vou me deter, é a identidade do carnaval de Teresina. E é nesse ponto que eu vou me deter mais um pouco pegando, principalmente, a fala dos dois últimos expositores aqui.

               Vejam bem, eu acho o seguinte em primeiro lugar o carnaval seria um forte referencial da cultura piauiense. Acho até que a partir da criação de um ritmo próprio, através de samba enredo de carnavalescos locais nós buscariamos essa identidade. Quem sabe um cd dos carnavalescos locais, das pessoas que fazem samba local.  Nesse ponto, eu colocaria aqui um dos grandes entraves a meu ver que acabou com as escolas de samba de Teresina, que foi exatamente a imitação do modelo importado, ou seja, quando o senhor Oswaldo Almeida coloca que trazia fantasias luxuosas  para o carnaval de Teresina e que alguém ia imita essas fantasias, e imitava, só que não podia arcar com as despesas, e ai corria atrás do poder público. Todas as escolas iam atrás do poder público! Resultado quando o poder público deixou de dar dinheiro, as escolas de samba acabaram! Eu não estou colocando aqui que era ruim trazer as fantasias. Eu estou colocando aqui que nesse sentido  .o que se via não era a identidade local, o que se via era um modelo importado do Rio de Janeiro, as escolas locais procurando o mesmo padrão, era o padrão global, não tinha nenhuma criatividade! É aquele mesmo ritmo de cinco, seis anos atrás, e você vê que quando algum carnavalesco de destaca com sua criatividade mais especifica, a exemplo de Joãozinho Trinta, que tentou desmistificar aquela coisa do padrão global foi quase sacado fora, digamos assim, porque trouxe aquela criatividade que foi colocado aqui pelo Macos Peixoto. Eu acho que é uma visão megalomaniaca do carnaval de Teresina querer imitar o carnaval carioca, e foi onde ele perdeu as escolas de samba.

                                                               Segue

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

O MIADO DO GATO - FINAL

          Pedro Carmelo foi quem conversou com a mãe.

       - A senhora sabe que esse nosso vizinho sempre foi doido, mãezinha!

       - E eu lá tenho nada a ver com a morte desses gatos, menino! Que coisa! Ah!...Desgraçado - Continuava a mãe - Devia ter adotado era uma uma criança, tanta delas com necessidade! Agora esse bando de gatos dentro de casa. Isso num vai pagar seus pecados.

        - 'Tá certo, mãezinha. Mas tenha cuidado.

          Outros gatos amanheceram no quintal com os mesmos sintomas dos outros. Depois se arrastarem um bom período pelo chão, sempre com miados horripilantes, morriam vomitando o que comeram. A pressão dos filhos de dona Jerusa em cima da mãe era o cuidado com a bendita gata preta de seu Ernesto. a cada gato morto cada vez mais aumentavam as ameaças de bala do vizinho. A situação já beirava ao pânico. Seu Ernesto ameaçava dar parte a policia e as organizações protetoras dos animais. A única coisa que o impedia era o fato de não ter certeza absoluta de quem estava praticando tamanha maldade com os gatos. No entanto, não havia dúvidas de que a matança partia da casa de dona Jerusa Carmelo.

          Os gatos de rua de Ernesto Madeira diminuiram drasticamente, quando muitos deles já não invadiam os telhados de dona Jerusa numa algazarra infernal, principalmente no tempo de cio. Um alivio para a velha senhora.

           Apesar de Ernesto Madeira ter espalhado para os vizinhos que dona Jerusa era a autora da morte dos gatos, todos envenenados, ninguém acreditava. Primeiro pela bondade de dona Jerusa, depois por que era sabedores das histórias de Ernesto, um homem cheio de mágoas, tentando se livrar das maldades praticadas, escondendo-se na pele de um cuidador de animais abandonados.

           Alguns até omitiam opinião:

        - Criar gatos de rua emporcalhado as calçadas! Onde já se viu?

           Portanto, dona Jerusa Carmelo continuava uma senhora bondosa e intocável. E as ameaças de Ernesto Madeira terminaram como futricas de vizinho mal visto pela comunidade. Dona Jerusa Carmelo morreu nos seus noventa anos de idade. Sua morte foi uma comoção na cidade em que morava, e o velório gerou uma pequena romaria no rumo de sua casa. Todos queriam dar seu último adeus a dona Jerusa Carmelo. 

           Não passou muito tempo da morte da matriarca os filhos começaram a sentir a presença dos gatos nos telhados da casa. Como o tempo aumentou extraordinariamente a presença dos gatos. Eram raras as noites em que os gatos não faziam um tremendo alarido nos telhados da casa, principalmente em cima do quarto onde dona Jerusa tinha morrido, não se sabe se por vingança dos bichados ou por alegria, de lamento é que não era.

           Os filhos não se incomodavam. Para eles era uma herança da mãe.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

O MIADO DO GATO - 4

             Foi quando um dos gatos   invasores da casa de dona Jerusa  amanheceu se arrastando pelo quintal. O miado do infeliz até morrer dava pena. Dona Jerusa, toda contente or dentro, era a primeira a perguntar cheia de piedade o que tinha acontecido com aquele bichano. A principio os filhos não levaram aquilo muito em conta, era apenas um gato vomitando os bofes até morrer. Quem podia saber o que era? Mas a medida que foram aparecendo mais gatos com o mesmo mal começaram as desconfianças. Os gatos morriam da mesma forma, com a boca cheia de baba e vomitando. Dona Jerusa, cheia de cuidados, e numa inocência incomum, ainda tentava salvar os gatos nas suas agonias de morte.

          - Nossa Senhora, o que será isso gente? Perguntava ela numa mistura de interrogação e espanto.

          Com o tempo, e a certeza de que a mãe estava envenenando os gatos, seus filhos continuavam no silencio, numa especie de cumplicidade. O problema era saber como ela fazia aquilo, e uma forma de salvaguarda-la, pois não havia dúvidas que era ela a autora das mortes dos gatos, mas ninguem seria capaz de acusa-la de tamanha maldade. Pedro Carmelo, o filho mais velho, tentava dissuadi-la com muito jeito.

        - Mãezinha, a senhora não está matando os gatos não, não é?

        - 'Tá louco, menino?! Oh, filho ingrato pra pensar isso da mãe!

           Mas as mortes dos gatos continuavam acontecendo. Foi quando aquelas mortes ultrapassaram as quatro paredes da casa. O alerta veio de forma dura do vizinho, seu Ernesto, cuidador dos gatos de rua.

        - Se minha gata amarela amanhecer morta vai cair bala! Dizia ele para qualquer um que quisesse ouvir.

          O panico tomou conta dos filhos de dona Jerusa. Ernesto, o vizinho, sempre fora um senhor calado, rispido, recluso e vivendo sozinho, desde a morte da mulher. Apesar de ser amigo de dona Jerusa e de seus filhos, todos sabiam que ele não era flor que se cheirasse. Quem o conhecia falava cobras e lagartos de seu Ernesto. Um homem mal. Tido como pão duro pelos amigos, mal vestido e fedorento. A única coisa que sobrava do home era seu carinho e cuidado com os gatos de rua. Uma boa ação para alguns, uma maneira de se redimir para outros

          Os filhos de dona Jerusa alertados do perigo, começaram a se preocupar com as ameaças de seu Ernesto. Vai que sua gata amarela aparecesse se arrastando pelo quintal.